Endocrinologista explica os sintomas de cada grau de gordura no fígado
Do grau leve ao grave, veja como os níveis de gordura evoluem no fígado, quais sintomas surgem e quando procurar ajuda
atualizado
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A gordura no fígado — tecnicamente chamada de esteatose hepática — é uma condição comum e, muitas vezes, silenciosa. O problema surge quando há acúmulo de gordura dentro das células do fígado, o que pode comprometer o funcionamento do órgão ao longo do tempo.
Embora o diagnóstico assuste, entender quais são os níveis da doença ajuda a dimensionar os riscos e a importância do acompanhamento médico. Segundo o Ministério da Saúde, a esteatose pode ser classificada em três graus, definidos principalmente pela quantidade de gordura acumulada no fígado, identificada por exames de imagem e laboratoriais.
Em fases iniciais, mudanças no estilo de vida costumam ser suficientes para controlar o quadro. Em estágios mais avançados, o risco de inflamação, fibrose e cirrose aumenta.
O que é a esteatose hepática
A esteatose hepática ocorre quando o fígado passa a armazenar mais gordura do que o normal. Entre os principais fatores associados estão sobrepeso e obesidade, resistência à insulina, diabetes tipo 2, colesterol elevado e consumo excessivo de álcool.
Há também a forma não alcoólica, hoje cada vez mais frequente. Exames como ultrassonografia e testes laboratoriais vão indicar o grau da doença, que varia conforme o volume de gordura acumulado e a presença — ou não — de inflamação e lesão das células hepáticas.
Graus de gordura no fígado
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Grau 1 — leve
O que acontece: pequeno acúmulo de gordura no fígado.
Sintomas mais comuns: geralmente não há sintomas; alguns pacientes relatam cansaço leve ou desconforto abdominal inespecífico.
Observação médica: fase inicial e reversível, sobretudo com ajustes na alimentação e prática de atividade física. -
Grau 2 — moderado
O que acontece: acúmulo moderado de gordura, já mais evidente nos exames.
Sintomas mais comuns: fadiga frequente, sensação de peso ou desconforto no lado direito do abdômen.
Observação médica: exige acompanhamento mais próximo, pois pode evoluir para inflamação do fígado (esteato-hepatite). -
Grau 3 — grave
O que acontece: grande acúmulo de gordura no fígado, com maior risco de inflamação e cicatrização do órgão.
Sintomas mais comuns: fraqueza intensa, dor abdominal persistente, aumento do fígado e alterações em exames de sangue.
Observação médica: estágio mais preocupante, associado a risco de fibrose, cirrose e insuficiência hepática.
Por que identificar o grau da doença é tão importante
Segundo a endocrinologista Deborah Beranger, do Rio de Janeiro, a classificação em graus ajuda a definir os proximos passos para um tratamento adequado.
“Nos estágios iniciais, mudanças no estilo de vida costumam trazer bons resultados. Já nos graus mais avançados, o risco de complicações aumenta e o acompanhamento médico precisa ser rigoroso”, explica.
O cirurgião de fígado e pâncreas Eduardo Ramos, do Instituto de Cirurgia Robótica do Paraná, reforça que o fígado tem grande capacidade de regeneração, mas alerta: “Quando a doença progride sem controle, podem surgir lesões permanentes. Por isso, diagnosticar cedo faz toda a diferença”.
Mesmo sem sintomas, pessoas com fatores de risco — como obesidade, diabetes ou colesterol alto — devem investigar a saúde do fígado. Entender quais são os níveis de gordura no fígado não serve apenas para dar um nome ao diagnóstico, mas para orientar decisões que podem evitar a progressão da doença e preservar a saúde do órgão a longo prazo.








