
Claudia MeirelesColunas

Gordura no fígado x dor de estômago: médica explica engano de sintomas
A hepatologista Liz Marjorie aponta que os sintomas de gordura no fígado e de dor no estômago causam “confusão” nas pessoas
atualizado
Compartilhar notícia

Entre os assuntos com maior procura pelos leitores da coluna Claudia Meireles, consta a gordura no fígado, condição chamada de esteatose hepática pela comunidade especializada. Após abordar tantos tópicos a respeito da doença, que afeta 30% da população mundial, chegou a vez de perguntar para a hepatologista Liz Marjorie, de Juazeiro do Norte (CE), se sintomas de fígado gorduroso podem ser confundidos com dor de estômago.
De acordo com a mestra em gastroenterologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), há “uma grande confusão”. “O fígado não tem terminações nervosas dentro dele, é um órgão silencioso e praticamente indolor. Assim, as pessoas acabam assimilando sintomas, como dor no estômago e boca amarga, como se fossem algo hepático, mas na verdade não são“, esclarece a médica.
A especialista comenta que, geralmente, esses desconfortos apresentam origem intestinal, gástrica ou podem ser da vesícula – uma pedra, por exemplo. “Como muitos indivíduos têm gordura no fígado, culpam a condição por esses sintomas. Por isso, é tão comum essa confusão”, reitera.
Liz Marjorie lista os sintomas que costumam causar engano: barriga estufada, boca amarga, sensação de estômago pesado, queimação e gases. “Acabam associando isso à doença do fígado. Mas, na verdade, são gastrointestinais mesmo, não hepáticos”, garante a médica.
Novamente, a hepatologista argumenta que, na maioria das vezes, doenças no fígados são assintomáticas. Para descobrir se o órgão está com algum problema, será necessário fazer exames de rotina. “Os principais são exames de sangue para avaliar as transaminases (TGO e TGP) – isso já é um bom começo, aliado ao ultrassom”, elucida a especialista.

Gordura no fígado não deve ser ignorada
A gastroenterologista faz um alerta: “Se você achar gordura no fígado por acaso, não ignore. Deve-se investigar direito para saber o que está acontecendo e tratar, porque não é normal ter esteatose hepática. Se esses exames estiverem alterados, vale a pena falar com seu médico sobre algo mais aprofundado, como a elastografia hepática”. A médica pontua que pacientes com diabetes devem avaliar periodicamente as enzimas do órgão.
Conforme a especialista, o corpo dá sinais de falência hepática e é preciso atenção urgente. Os indicadores são olhos amarelados (icterícia), manchas roxas que aparecem sem motivo, confusão mental, aumento do volume abdominal com líquido ascite e pernas edemaciadas. “Se notar algum desses indícios, procure assistência médica imediatamente. Isso mostra que o fígado está sofrendo e necessita de cuidado rápido”, finaliza.

Para saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.








