Governo lança chamada de projetos sobre endometriose e saúde menstrual
Serão investifos R$ 50 milhões para criar uma rede nacional de pesquisa sobre endometriose para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS)
atualizado
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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) divulgou, nesta terça (9/6), em parceria com o Instituto Alana e o CNPq, uma chamada pública para projetos estruturantes em endometriose e saúde menstrual. Serão investidos R$ 60 milhões em pesquisas na área, com o objetivo de criar uma rede nacional de pesquisa sobre os assuntos para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS).
Este é o maior montante já feito no Brasil para estudar endometriose e outras condições relacionadas à saúde menstrual. A ministra Luciana Santos, do MCTI, afirmou que o projeto tira a ciência do papel, aproximando-a do dia a dia da população.
“Vamos fortalecer grupos de pesquisa, desenvolver novos metodos de diagnóstico e estratégias de prevenção, aprimorar tratamentos, estruturar biorepositórios, compreender os impactos sociais e econômicos dessas doenças para remover estigmas, promover equidade e gerar subsídios para gerar puliticas públicas. Somando forças, vamos longe”, disse a ministra.
Endometriose ainda é pouco conhecida
“Talvez, por não ser uma dor masculina, a endometriose passou tantos anos sem ser estudada. O que não é pesquisado, não é comprendido. O que não é compreendido, não é tratado. Essa equação precisa mudar. Hoje, o Brasil dá um passo histórico e inédito”, afirma Ana Lucia Vilela, presidente do Instituto Alana.
Ela lembrou ainda que 65% das meninas brasileiras convivem com dor menstrual que interfere na rotina e 75% das que sofrem com dores fortes recebem o diagnóstico de endometriose apenas 10 anos depois.
A primeira-dama Janja Lula da Silva esteve presente e contou que comentou com o presidente Lula sobre o evento e ele não sabia o que era endometriose.
“Quando o assunto é a saúde das mulheres, normalmente ele é invisibilizado. Os homens nem conhecem”, disse.
O que é a endometriose?
- A endometriose é caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio – que reveste o útero – em outras partes do corpo, como ovários e intestino, formando lesões.
- A doença interfere em diversos aspectos da vida da mulher, incluindo saúde mental, vida sexual, relações pessoais, trabalho e renda.
- Entre os principais sintomas associados à endometriose estão: dismenorreia (cólica menstrual intensa), dor pélvica crônica, dispareunia (dor durante a relação sexual com penetração), infertilidade, queixas intestinais e urinárias com padrão cíclico.
- As causas da endometriose ainda não são completamente conhecidas e o diagnóstico definitivo só é possível por meio de laparoscopia.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também participou do lançamento e lembrou que 8 milhões de mulheres, inclusive adolescentes, são afetadas pela endometriose. “Ainda é um tema pouco cuidado no SUS. O primeiro protocolo para tratar endometriose superficial e profunda, com financiamento específico, foi em 2025”, lembra.