Fumantes com Covid-19 têm 3 vezes mais células infectadas, diz pesquisa

Simulações em pulmões criados a partir de células-tronco mostraram que infecção se alastra com mais facilidade em órgãos expostos à fumaça

atualizado 19/11/2020 10:13

cigarroUSP Imagens

Uma pesquisa feita pela Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos Estados Unidos, publicada na revista científica Cell Stem Cell, mostra que fumantes com Covid-19 têm 3 vezes mais células contaminadas pelo coronavírus do que não-fumantes.

O estudo foi feito com pulmões artificiais criados a partir de células-tronco. Alguns pulmões foram expostos à fumaça de cigarro por três minutos por dia durante quatro dias. Todos foram infectados com o Sars-CoV-2. Ao final do experimento, os pulmões que simulavam os órgãos respiratórios de fumantes estavam mais infectados.

Os cientistas também perceberam que o cigarro atrapalha os interferons – mensageiros do sistema imune que alertam as células sobre uma invasão – funcionem corretamente. O resultado disso é que mais células ficam vulneráveis ao coronavírus.

“Se pensarmos nas vias aéreas como os muros altos que protegem um castelo, fumar é como criar buracos nessas paredes. O cigarro reduz as defesas naturais e permite que o vírus se instale”, explica Brigitte Gomperts, responsável pelo estudo.

O cigarro é responsável, ainda, por endurecer as artérias e aumentar o risco de doenças do pulmão e do coração, que são fatores de risco para a Covid-19. Ainda no início da pandemia, os tabagistas foram incluídos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) entre os grupos de risco para a infecção provocada pelo novo coronavírus.

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