Saiba por que fumantes foram incluídos no grupo de risco da Covid-19

Além de terem o pulmão debilitado pelo consumo de cigarro, o tabaco e a nicotina promovem inflamações e deixam o organismo mais frágil

atualizado 18/06/2020 15:11

mão segurando cigarro acesoOc Gonzalez/Unsplash

No começo da pandemia do coronavírus, quando os médicos ainda tentavam entender como a Covid-19 se comportava e quais eram as principais comorbidades relacionadas aos casos mais críticos da infecção, o tabagismo não foi cogitado. Apesar de os fumantes serem vulneráveis a problemas pulmonares, inicialmente não se enxergou qualquer relação do cigarro com o desenvolvimento da doença.

Porém, o cenário mudou e, hoje, é pacífica a relação entre o tabagismo e a complicada evolução da Covid-19. O pneumologista Elie Fiss, do laboratório Exame, explica que, além da idade, os grupos de risco para coronavírus incluem pessoas com problemas respiratórios e cardíacos.

“DPOC, bronquite, enfisema pulmonar, são causadas pelo tabagismo, que também é o principal responsável por doenças cardíacas. Estando associado aos dois fatores de risco mais frequentes, não considerar os fumantes como grupo de risco é algo temerário”, explica.

Segundo o médico, desde o começo da pandemia, estudos mostram que fumantes infectados com coronavírus evoluem de uma maneira pior, ficam mais tempo na UTI e têm mais chance de óbito. O Sars-CoV-2 causa uma inflamação no organismo, que se soma a pequenas inflamações causadas ao longo dos anos no pulmão, coração e artérias do tabagista. “É uma complicação muito grande e isso já enxergamos em outras infecções respiratórias”, explica Fiss.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o tabaco prejudica os mecanismos de defesa do organismo por conta da inflamação e, por isso, os fumantes têm maior risco de infecções por vírus, bactérias e fungos, além de serem acometidos com maior frequência por sinusite, pneumonia e tuberculose.

Além disso, se o paciente tem o pulmão debilitado pelo cigarro e tiver enfisema, por exemplo, há uma redução significativa da área de troca gasosa. O que sobra, acaba inflamando por conta do coronavírus e os alvéolos se enchem de líquido no processo inflamatório, diminuindo ainda mais o espaço para o paciente respirar bem.

Em tempo de parar
Se o fumante decide parar com o cigarro, qualquer dia sem o tabaco e a nicotina faz bastante diferença. O pneumologista explica que é possível enxergar, nas primeiras horas, dias e semanas, uma melhora no organismo.

Fake news
Em abril, um estudo francês causou polêmica ao sugerir que o cigarro estaria associado a um menor risco de infecção por coronavírus. No dia seguinte, dois dos autores publicaram uma outra pesquisa defendendo testes clínicos com nicotina para tratar e até prevenir a Covid-19. Nenhum dos trabalhos foi publicado em revistas científicas ou revisado pela comunidade.

Logo se descobriu que um dos responsáveis pelas pesquisas era financiado pela indústria tabagista e que os dados apresentados não eram confiáveis. Além disso, segundo Fiss, saiu um último estudo afirmando justamente o contrário: que o fumante tem um desfecho pior quando contaminado.

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