Fome excessiva? Endocrinologista lista principais sintomas da diabetes
Fome constante, perda de peso e visão turva são alertas importantes. Médicos explicam como a diabetes se manifesta de forma sutil
atualizado
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Você está sentindo mais sede que o normal e uma vontade de beber água constante? Fome excessiva ou perda de peso inexplicável? Esses sintomas podem indicar o desenvolvimento da diabetes. Por serem sinais iniciais, muitas pessoas não dão importância e atribuem o quadro ao cansaço, estresse ou até má alimentação.
Especialistas explicam que a visão embaçada, repetições de infecções urinárias e candidíase também podem ser manifestações iniciais da condição.
Qual a diferença entre os tipos de diabetes?
Existem três tipos de diabetes. Enquanto o tipo 1 surge de forma abrupta pela falta de produção de insulina, o tipo 2 (que afeta nove em cada 10 pacientes) é silencioso e leva anos para se consolidar. Já a diabetes gestacional é uma condição temporária ou de alerta detectada durante a espera pelo bebê.
Além dos sintomas clássicos da glicose alta — como sede constante, aumento da frequência urinária, fome excessiva, cansaço, perda de peso sem explicação e visão turva — algumas pessoas também podem apresentar feridas que demoram a cicatrizar, formigamento nas mãos e nos pés ou áreas de pele escurecida, no pescoço ou nas axilas.
Em conjunto, os sintomas chamam atenção para o fato de que o corpo já perdeu parte da capacidade de manter o controle metabólico.
No caso da diabetes tipo 2, a percepção do problema é ainda mais difícil, pois os sintomas surgem de maneira gradual. “A glicose se eleva aos poucos, durante anos, sem provocar sinais. A doença pode evoluir de forma silenciosa, porque o corpo vai se adaptando, e as pessoas só percebem quando começam as complicações”, explica a médica Jamilly Drago.
De acordo com ela, os sintomas, isoladamente, também podem acontecer por outros motivos. Mas, quando aparecem com frequência, em conjunto ou sem uma explicação clara, é importante investigar. A diabetes não deve ser diagnosticada só por esses sinais, mas eles são, sim, um alerta importante para procurar avaliação médica e fazer exames.
Como funciona o diagnóstico da diabetes?
O diagnóstico da diabetes é confirmado por exames laboratoriais simples e acessíveis.
“Os principais são a glicemia de jejum, a hemoglobina glicada e o teste oral de tolerância à glicose. Esses exames permitem não só identificar a diabetes, mas também detectar fases iniciais de desregulação metabólica, antes mesmo dos sintomas aparecerem”, explica o médico Wandyk Allison, pós-graduado em endocrinologia.
Quando a diabetes não é diagnosticada e tratada, o impacto no corpo vai muito além do aumento da glicose. De acordo com Allison, há um processo contínuo de inflamação, resistência à insulina e dano progressivo aos vasos sanguíneos. Com o tempo, isso pode levar a doenças cardiovasculares, comprometimento dos rins, alterações na visão, lesões nos nervos e uma queda global na energia, na disposição e na qualidade de vida.
A recomendação é procurar um médico de forma preventiva. Pessoas acima de 30 a 35 anos, indivíduos com sobrepeso ou gordura abdominal, histórico familiar de diabetes, sedentarismo, sono inadequado, estresse crônico, pressão alta, alterações no colesterol e mulheres que tiveram diabetes gestacional devem realizar exames periódicos. Além disso, qualquer sinal persistente, como cansaço inexplicável ou aumento da sede e da urina, já justifica uma avaliação.
Por outro lado, mudanças no estilo de vida têm um impacto direto e profundo no controle da doença.
“Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, melhora do sono, controle do estresse e redução do excesso de peso podem não apenas controlar os sintomas, mas, em muitos casos, levar à remissão da diabetes tipo 2 em fases iniciais. Isso significa devolver ao corpo parte do controle metabólico que foi perdido”, conclui Allison.
