Diabetes: erros comuns que impedem o controle real da glicemia
Nutricionista Bela Clerot alerta que confiar apenas em remédios e trocar açúcar por mel são hábitos que sabotam o tratamento do diabetes
atualizado
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O controle do diabetes tipo 2 no Brasil enfrenta um desafio crescente: segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2006 e 2024, o diagnóstico da doença entre adultos saltou de 5,5% para 12,9%, um aumento de 135% acompanhado pela alta nos índices de obesidade. Para a nutricionista Bela Clerot, o obstáculo para estabilizar a glicemia não está apenas na falta de acesso a tratamentos, mas na repetição de hábitos que parecem saudáveis, mas mantêm o metabolismo em desequilíbrio.
Segundo a especialista, o foco excessivo em medicações e o consumo de substitutos “naturais” do açúcar criam uma falsa sensação de segurança que impede a remissão da doença.
Entenda
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Ilusão do remédio: muitos pacientes acreditam que a medicação anula o impacto de uma dieta inadequada, ignorando que o estilo de vida é o verdadeiro pilar do tratamento.
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Armadilha do “natural”: substituir açúcar por mel, tâmaras ou sucos não reduz o impacto glicêmico para quem já possui resistência à insulina.
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Frequência alimentar: o hábito de “beliscar” ou comer a cada três horas sem necessidade pode sobrecarregar o metabolismo e gerar picos constantes de glicose.
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Visão limitada: focar apenas no valor da glicose em exames isolados é um erro; o diagnóstico completo exige análise de insulina, hemoglobina glicada e HOMA-IR.
Um dos maiores mitos combatidos por Bela Clerot é a ideia de que o diabetes tipo 2 é uma sentença progressiva e irreversível. “A doença não tem cura, mas pode entrar em remissão com mudanças consistentes. Achar que o destino é apenas aumentar a dose do remédio desmotiva o paciente”, explica.
Para a nutricionista, a chave está em entender que a medicação ajuda, mas não educa o organismo. “A gente controla o diabetes pela boca”, resume, reforçando que o uso de fármacos como eixo único do tratamento costuma falhar a longo prazo.
Outro ponto crítico são os produtos ultraprocessados rotulados como “diet” ou “zero”. A especialista alerta que adoçantes culinários e itens industriais frequentemente escondem maltodextrina ou outros carboidratos que elevam a glicemia tanto quanto o açúcar refinado. O mesmo vale para as substituições caseiras: frutas muito maduras ou receitas “fit” podem carregar uma carga glicêmica alta que o corpo do diabético não consegue processar eficientemente.
Além da qualidade do que se come, a periodicidade das refeições entrou no radar da nutrição moderna. Para quem tem alterações metabólicas, a ingestão constante de alimentos mantém a insulina alta o dia todo, dificultando a estabilização. No entanto, Bela ressalta a importância da individualização: pacientes que usam certos medicamentos precisam de acompanhamento rigoroso para evitar crises de hipoglicemia.
A nutricionista conclui que o tratamento eficaz exige menos “atalhos” e mais análise clínica. Antes de trocar qualquer componente da dieta ou alterar a rotina, é fundamental alinhar a estratégia com um profissional que avalie o histórico completo, incluindo triglicerídeos e HDL, para garantir que o corpo esteja, de fato, recuperando sua saúde metabólica.


























