Fome e cansaço: sinais do cotidiano podem esconder risco de diabetes
Com alta de 135% nos diagnósticos de diabetes em capitais, especialistas alertam que sintomas banais indicam falhas no metabolismo
atualizado
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Cansaço persistente, irritabilidade e aquela vontade incontrolável de “beliscar” algo entre as refeições costumam ser prontamente justificados pelo estresse ou pela rotina acelerada. No entanto, o que parece ser apenas o reflexo de uma noite mal dormida pode, na verdade, ser o corpo sinalizando o início de uma desordem metabólica grave.
Dados da edição mais recente do Vigitel, um sistema do Ministério da Saúde, mostram que entre 2006 e 2024, o diagnóstico de diabetes nas capitais brasileiras saltou de 5,5% para 12,9%, acompanhando o avanço da obesidade, que hoje atinge um em cada quatro adultos no país.
Entenda
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Avanço silencioso: a piora metabólica é gradual; começa com a resistência à insulina, evolui para o pré-diabetes e culmina no diabetes tipo 2.
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Normalização de sintomas: o maior perigo reside em tratar a fome constante e a baixa energia como “efeitos da idade” ou do excesso de trabalho.
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Marcadores de risco: o acúmulo de gordura abdominal e a dificuldade de perder peso são sinais precoces de que o organismo lida mal com a glicose.
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Diagnóstico além do básico: exames como insulina basal e hemoglobina glicada são cruciais para detectar o problema antes que o quadro se estabilize.
Para a nutricionista Bela Clerot, o erro mais frequente é aguardar um mal-estar agudo para buscar ajuda médica. Segundo a especialista, o corpo emite avisos sutis muito antes de um exame de glicemia de jejum apresentar alterações críticas.
“Muita gente não percebe que o problema começa bem antes do diagnóstico. O corpo vai dando pistas, como fome frequente e energia instável, mas, como isso foi normalizado, a pessoa chama tudo de estresse”, afirma.
Sinais que merecem atenção redobrada
De acordo com a especialista, quatro manifestações do dia a dia devem servir de alerta para uma investigação clínica:
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Fadiga crônica: se o cansaço não cessa com o repouso e a queda de energia se torna a regra, o metabolismo pode estar falhando em transformar alimento em combustível.
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Fome fora de hora: a ausência de saciedade prolongada e a necessidade constante de ingerir carboidratos indicam que a insulina não está agindo corretamente.
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Sonolência pós-prandial: aquela “moleza” excessiva logo após as refeições, quando frequente, é um indicativo de picos glicêmicos desregulados.
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Circunferência abdominal: o aumento da barriga é um marcador clássico de resistência insulínica e um dos primeiros sinais visíveis de risco metabólico.
Quando buscar um especialista
Segundo a nutricionista, a investigação deve ser prioridade quando os sintomas deixam de ser episódicos e passam a durar semanas, ou quando se somam a fatores de risco como histórico familiar, sedentarismo e sobrepeso.
Bela Clerot destaca que a análise laboratorial precisa ir além do óbvio. Além da glicemia, é fundamental observar a insulina basal — um marcador que, segundo ela, muitas vezes é negligenciado ou mal interpretado nas consultas de rotina — e a hemoglobina glicada.
“O mais perigoso é que esses sinais parecem comuns demais. E, por parecerem comuns, deixam de ser investigados com a seriedade que merecem”, alerta a nutricionista. Identificar essas falhas precocemente é a estratégia mais eficaz para evitar a progressão para o diabetes tipo 2 e garantir a longevidade.


























