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Nutricionista ensina como comer salada fora de casa em segurança

Ao consumir saladas sem o manuseio de segurança adequado, as pesssoas podem ficar expostas a agentes infecciosos perigosos à saúde

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Elena_Danileiko/Getty Images
Salada de macarrão com atum
1 de 1 Salada de macarrão com atum - Foto: Elena_Danileiko/Getty Images

Quem é fã de salada ou come por obrigação sabe que lavá-las em casa antes do consumo é um ato obrigatório para evitar contaminações. O grande problema é comer os vegetais na rua. Apesar de esperarmos que todos os restaurantes sigam as normas de segurança impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nem sempre isso acontece, deixando o consumidor em risco.

Quando não são manipuladas e armazenadas de acordo com o controle indicado de higiene e temperatura, saladas prontas servidas em restaurantes, bufês, cafés ou delivery podem sofrer contaminação microbiológica – ou seja, apresentar a presença e proliferação de microrganismos. 

“Verduras cruas são alimentos preparados sem cozimento (prontos para consumo), o que facilita a sobrevivência e multiplicação de microrganismos se as boas práticas não forem aplicadas em toda cadeia de produção. Alimentos prontos para consumo devem ser mantidos sob refrigeração adequada e protegidos contra qualquer forma de contaminação”, aponta o nutricionista Wesley Santana, membro do Conselho Federal de Nutrição (CFN).

Uma das principais formas de contágio é a contaminação cruzada. Ela acontece quando alimentos prontos entram em contato com outros crus, utensílios ou superfícies sem a higienização adequada por descuido do manipulador. O uso de água contaminada também pode causar prejuízos.

“A ausência dessas medidas de controle favorece a proliferação de microrganismos patogênicos capazes de causar doenças transmitidas por alimentos (DTAs), caracterizadas por quadros gastrointestinais graves, podendo evoluir para complicações sistêmicas em indivíduos vulneráveis”, alerta Santana.


Como detectar que a salada pode estar contaminada

  • Estar atento à temperatura: saladas prontas devem ser mantidas em ambientes frios (preferencialmente abaixo de 5°C); caso contrário, tem grande risco de contaminação.
  • Analisar o local de exposição: além de evitar saladas sem proteção adequada, é recomendável não ingerir aquelas dispostas próximas ao calor ou com utensílios para pegá-las mal higienizados.
  • Olhar a aparência da salada: se as folhas estiverem frescas, sem sinais de murchamento, excesso de água ou odor desagradável, elas estão boas para o consumo.

Consumi uma salada contaminada. O que pode acontecer?

Ao ingerir saladas contaminadas, o indivíduo fica vulnerável a diversos agentes infecciosos presentes no alimento e que podem causar reações adversas. Entre os principais patógenos, estão:

  • Escherichia coli: pode causar diarreia, cólicas abdominais e, em casos graves, insuficiência renal;
  • Salmonella spp.: responsável por causar salmonelose, gerando sintomas como febre, diarreia e vômitos;
  • Listeria monocytogenes: é menos comum, mas é capaz de sobreviver a baixa temperaturas e causar listeriose – uma condição grave para gestantes, idosos e imunocomprometidos devido ao sistema imunológico mais comprometido desses grupos;
  • Norovírus: a contaminação pode causar gastroenterite aguda;
  • Giardia duodenalis: pode causar giardíase, caracterizada por diarréia persistente, dor abdominal, gases, náuseas, perda de peso e má absorção de nutrientes;
  • Entamoeba histolytica: pode causar amebíase intestinal, com diarreia, cólicas e, em casos graves, comprometimento hepático.
  • Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura e Ancylostoma spp.: podem contaminar verduras irrigadas com água inadequada ou cultivadas em solo contaminado, causando anemia, dor abdominal, diarreia e prejuízos ao estado nutricional.
“Quando a gente fala de saudabilidade alimentar, uma das principais preocupações é a presença de patógenos nos alimentos. Essa contaminação pode ocorrer em qualquer etapa do processo, desde a manipulação ainda na colheita, passando pelo transporte, até o armazenamento”, afirma o médico nutrologista Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo.
Salada caesar
Saladas feitas de alface tem mais risco de contaminação

Dicas para comer salada fora de casa em segurança

Na hora de encher o prato de folhas, algumas dicas são essenciais. Por exemplo, ao comer salada fora de casa, a opção mais segura é pedir as preparadas na hora, visto que elas ficam menos tempo expostas, diminuindo o risco de proliferação de microrganismos.

Outra boa alternativa é optar por saladas compostas por legumes cozidos e grelhados, como brócolis e cenoura. O processo térmico reduz o risco de agentes infecciosos. Alface e rúcula costumam ter mais risco de contaminação, enquanto acelga e espinafre menos, se manuseados corretamente. 

Em tempo de férias e verão, também é importante estar atento às altas temperaturas. “Em dias quentes, esses microrganismos se proliferam com muito mais facilidade. Por isso, é preciso redobrar os cuidados no verão e optar por locais conhecidos, que tenham inspeção dos órgãos fiscalizadores”, ensina Cukier.

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