Colesterol achado em células do cérebro piora memória, diz estudo
Pesquisa mostra que excesso de colesterol em astrócitos prejudicou sistema de limpeza cerebral e cognição em camundongos
atualizado
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O excesso de colesterol em astrócitos — células que ajudam a proteger e sustentar o cérebro — pode piorar falhas de memória ligadas ao Alzheimer.
A conclusão é de um estudo publicado em 15 de abril na revista Nature Neuroscience, que identificou como alterações nessas células afetaram o sistema de limpeza cerebral e o desempenho cognitivo em camundongos com características da doença.
A pesquisa foi liderada por cientistas da Sun Yat-sen University e do Sun Yat-sen Memorial Hospital, ambos na china. Segundo os autores, o trabalho sugere que mecanismos ligados ao colesterol em astrócitos podem se tornar alvo de futuras terapias para fases iniciais do Alzheimer.
O que são astrócitos
Astrócitos são células abundantes no cérebro e fazem parte do grupo chamado glia. Eles ajudam a nutrir neurônios, controlar o ambiente químico cerebral e participar da circulação de líquidos que removem resíduos metabólicos.
Nos últimos anos, cientistas passaram a estudar com mais atenção o papel dessas células em doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. A pesquisa foi feita com camundongos do modelo 5xFAD, amplamente usado em estudos sobre Alzheimer, por desenvolver placas de beta-amiloide e prejuízo cognitivo precoce.
Observou-se, nos animais, atividade anormalmente elevada de cálcio em astrócitos localizados no córtex pré-frontal medial, área ligada à memória, à tomada de decisões e funções cognitivas superiores.
Como o colesterol entrou na história
De acordo com os autores, a hiperatividade de cálcio estimulou maior produção de colesterol dentro dos astrócitos. Na sequência, o colesterol alterou o comportamento da proteína aquaporina-4 (AQP4), importante para o fluxo de água e para o funcionamento do sistema glinfático — rede responsável por ajudar a eliminar resíduos do cérebro durante o repouso. Com a AQP4 deslocada, o sistema perdeu eficiência.
Segundo o estudo, a piora do sistema glinfático dos animais foi acompanhada por prejuízo cognitivo. Em outras palavras, os camundongos com essas alterações apresentaram desempenho inferior em testes comportamentais usados para medir a memória e a cognição.
Os cientistas puseram em prática estratégias para reduzir a produção de colesterol nos astrócitos. Entre elas, o bloqueio da enzima squalene epoxidase e o uso de atorvastatina. Após as intervenções, houve melhora da perfusão glinfática, da drenagem linfática meníngea e da performance cognitiva dos animais.
Conforme o estudo:
- O colesterol cerebral pode ter papel mais ativo no Alzheimer do que se imaginava.
- Astrócitos ganharam destaque como alvo de tratamento.
- Melhorar a “limpeza” cerebral virou caminho promissor.
Os resultados vieram de experimentos em camundongos, o que exige cautela. Nem todo mecanismo observado em animais se repete da mesma forma em pessoas.
Por isso, serão necessários estudos clínicos para confirmar se controlar colesterol em astrócitos realmente pode retardar sintomas ou progressão do Alzheimer em humanos.














