Por que bebês não podem comer mel? Entenda o risco de botulismo

Alguns alimentos, como o mel, podem fazer mal aos bebês se introduzidos antes do desenvolvimento completo da criança. Saiba por que

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O plano alimentar de um bebê com menos de um ano deve ser algo muito bem planejado. A ingestão de alimentos saudáveis é essencial para o sucesso do desenvolvimento da criança. No entanto, não é toda comida que deve estar presente no cardápio do pequeno. Por falta de maturidade imunológica, algumas opções podem causar reações adversas.

Entre os alimentos não recomendados está o mel. Apesar de ser reconhecidamente nutritivo e funcional, o consumo para crianças menores de 1 ano é perigoso, pois há risco de contaminação por esporos da bactéria Clostridium botulinum, causadora do botulismo.

Ao contrário de crianças mais velhas ou adultos, os bebês têm a microbiota intestinal ainda imatura e em desenvolvimento, o que ajuda o conteúdo bacteriano a se proliferar com mais facilidade pelo organismo e, consequentemente, afetar o indivíduo de forma considerável.

“O mel foi reconhecido como uma fonte potencial de esporos de C. botulinum em 1976, quando o botulismo infantil foi descrito pela primeira vez. Em bebês com menos de 1 ano, os esporos podem germinar no cólon e produzir uma toxina extremamente potente, que afeta o sistema nervoso e provoca paralisia muscular progressiva”, explica a pediatra Mara Alves da Cruz Gouveia, membro do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Mesmo sendo raro, o botulismo infantil é potencialmente grave e em alguns casos pode ser até fatal. Segundo a pediatra, a toxina botulínica impacta a liberação de acetilcolina nas terminações nervosas. Como consequência, o bebê sofre com uma fraqueza muscular progressiva.

“Nos casos mais graves, pode haver insuficiência respiratória, que, no geral, é a forma mais comum de morte causada por botulismo”, alerta Mara.

Meu bebê comeu mel, o que devo fazer?

Mesmo que aumente o risco de botulismo infantil, o consumo de quantidades mínimas de mel não garante necessariamente que o quadro ocorrerá. Por isso, a primeira orientação aos pais e/ou responsáveis é se manter calmo e observar os sinais da criança. Os sintomas costumam aparecer alguns dias após à ingestão. Entre os principais sintomas, estão:

  • Prisão de ventre;
  • Sonolência excessiva;
  • Sucção fraca;
  • Dificuldade para se alimentar;
  • Em casos mais avançados, há indicativos de fraqueza muscular, como perda do controle da cabeça, redução das expressões faciais, choro fraco e pálpebras caídas.

Diante de qualquer sintoma mencionado, é indispensável procurar orientação médica, pois o agravamento do quadro pode impactar os músculos da respiração e, consequentemente, levar à insuficiência respiratória.

“Apesar de raro, o botulismo infantil é uma doença potencialmente grave, mas altamente prevenível. O reconhecimento precoce dos sintomas faz diferença importante no prognóstico”, lembra Mara.

Como deve ser a alimentação de bebês com menos de 1 ano

Para evitar complicações durante os primeiros meses de vida da criança, órgãos como Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde e a SBP recomendam que o plano alimentar seja composto exclusivamente por leite materno pelo menos até os seis meses de vida da criança. Água, chás, sucos, e outras bebidas ou alimentos devem ser evitados – quando necessário, vitaminas e medicamentos podem ser incluídos.

“O aleitamento materno exclusivo (AME) nos primeiros meses molda uma microbiota intestinal rica em bifidobactérias (bactérias boas do intestino), reforça a barreira intestinal, reduz infecções (especialmente diarreia) e atenua desequilíbrios causados por cesariana e antibióticos”, ressalta o pediatra e gastropediatra Henrique Flávio Gonçalves Gomes, o Hospital Santa Lúcia Norte (HSLN), em Brasília.

Além do mel, há estudos que apontam que outros alimentos e bebidas podem ser contaminados por esporos do C. botulinum e também devem ser evitados. Entre eles, estão:

  • Chás de ervas, como camomila, erva-doce e hortelã;
  • Certos cereais, conservas vegetais, principalmente as artesanais, como palmito, picles e pequi;
  • Produtos cárneos cozidos, curados e defumados de forma artesanal, como salsicha e presunto;
  • Pescados defumados, salgados e fermentados.

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