Bebês definem seus alimentos preferidos ainda na barriga. Entenda
Segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, uma boa rotina alimentar da mãe aumenta a tendência dos bebês nascerem com hábitos saudáveis
atualizado
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A gestação é um dos períodos mais bonitos, mas, ao mesmo tempo, desafiadores da vida humana. É durante o processo de crescimento dos bebês que órgãos se desenvolvem, sistemas se formam e estruturas primordiais para o nosso funcionamento nascem. Mas para além disso, outro fator importante é definido ainda na barriga da mãe: as preferências alimentares.
Mesmo no útero da progenitora, os bebês já têm capacidade de perceber os sabores vindos no líquido amniótico, o fluido produzido durante a gestação para proteger e desenvolver o feto. A percepção dos gostos tem ligação com os receptores gustativos e olfativos, que se formam precocemente, entre a 7ª e 8ª semana de gravidez.
Segundo a ginecologista e obstetra Jéssica Othon, a partir de cerca de 20 semanas, há evidências de que o feto consegue perceber e responder a diferentes sabores presentes no líquido amniótico.
“Substâncias aromáticas de alimentos como alho, cenoura, anis e especiarias atravessam a circulação materna e chegam ao líquido amniótico, sendo deglutidas pelo feto, que pode apresentar respostas diferentes conforme o sabor — por exemplo, maior deglutição diante de estímulos doces e menor diante de sabores amargos”, explica médica da maternidade do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.
É consenso: a dieta da mãe influencia o paladar dos bebês após o nascimento
Se os bebês já começam a definir o que mais agrada seu paladar ainda na barriga da mãe, é lógico que a progenitora tem papel fundamental no paladar da cria. O obstetra Leonardo Coelho afirma que há trabalhos consolidados apontando que a exposição dos bebês a determinados sabores no útero torna a aceitação dos alimentos mais fácil quando introduzidos na alimentação complementar após o nascimento.
“A exposição materna repetida a sabores no útero pode reduzir respostas aversivas e moldar a memória pós-natal, potencialmente promovendo hábitos alimentares saudáveis ao bebê após o nascimento”, explica o obstetra Leonardo Coelho, do Hospital de Brasília.
Mesmo após o nascimento da criança, a dieta materna continua influenciando a saúde alimentar durante o período de amamentação – ou seja, uma boa alimentação da progenitora ajuda o bebê a ter tendências alimentares mais saudáveis.

Como fazer com seu filho tenha bons hábitos alimentares ainda na barriga
A gestação já é um período que exige atenção redobrada na alimentação, visto que ela influencia a saúde da mãe e do próprio filho. Para influenciar o bebê de forma positiva e contribuir para que ele tenha órgãos e sistemas funcionando melhor, as melhores ações são:
- Ter uma rotina alimentar repleta de alimentos in natura e minimamente processados;
- Manter variedade na dieta, incluindo diferentes tipos de vegetais, frutas, ervas e especiarias naturais, para aumentar o repertório sensorial do bebê;
- Evitar alimentos ultraprocessados e dietas muito restritivas sem indicação médica.
“Estímulos nutricionais e sensoriais ainda na vida intrauterina podem influenciar não apenas preferências alimentares, mas também aspectos metabólicos e comportamentais ao longo da vida. Trata-se de uma janela crítica de desenvolvimento em que pequenas intervenções, como a qualidade da dieta materna, podem ter repercussões duradouras na saúde da criança”, ressalta Jéssica.
