Paracetamol na gravidez não aumenta risco de autismo, afirma estudo

Análise com mais de 1,5 milhão de crianças não encontrou associação entre o uso do medicamento durante a gestação e diagnóstico de autismo

atualizado

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Imagem de uma caixa de Tylenol, paracetamol. Metrópoles
1 de 1 Imagem de uma caixa de Tylenol, paracetamol. Metrópoles - Foto: Divulgação

O uso de paracetamol durante a gravidez não está associado a um aumento no risco de autismo em crianças, segundo um grande estudo realizado na Dinamarca. A pesquisa analisou dados de mais de 1,5 milhão de nascimentos e não encontrou evidências de que o medicamento esteja ligado ao transtorno do neurodesenvolvimento.

Publicados nessa segunda-feira (13/4) na revista científica JAMA Pediatrics, os resultados ajudam a esclarecer um debate que ganhou força após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em setembro do ano passado, sobre uma possível ligação entre o medicamento e o autismo.

O paracetamol, conhecido comercialmente por marcas como Tylenol, é um dos analgésicos mais utilizados durante a gestação para aliviar dor e febre.

No estudo, os pesquisadores acompanharam crianças nascidas entre 1997 e 2022. Entre elas, mais de 31 mil foram expostas ao medicamento ainda no útero. O diagnóstico de autismo ocorreu em 1,8% dessas crianças, enquanto no grupo que não teve exposição ao paracetamol a taxa foi de cerca de 3%.

A análise levou em conta diferentes fatores que poderiam influenciar os resultados, como a quantidade de medicamento utilizada e o período da gestação em que o paracetamol foi tomado. Mesmo após esses ajustes, os cientistas não encontraram evidências de que o uso do remédio aumente o risco de autismo.

Debate sobre segurança do medicamento

A relação entre o paracetamol na gravidez e possíveis efeitos no desenvolvimento infantil tem sido discutida em pesquisas recentes. Alguns estudos anteriores haviam apontado uma possível associação entre a exposição ao medicamento no útero e condições como autismo e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Uma revisão científica publicada em 2025 que reuniu dezenas de estudos sugeriu a existência dessa associação. No entanto, os próprios autores destacaram que os dados disponíveis não demonstram que o medicamento seja a causa direta desses transtornos.

Além disso, pesquisas mais recentes realizadas em países como a Suécia também não identificaram ligação entre o uso do paracetamol durante a gestação e o desenvolvimento de autismo nas crianças.

Especialistas destacam que o paracetamol continua sendo uma das opções consideradas mais seguras para controle da dor e da febre durante a gravidez, quando usado de forma adequada e com orientação médica.

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