Bebês podem responder ao bocejo da mãe ainda no útero
Pesquisadores observam que fetos tendem a bocejar após as mães, indicando que interação comportamental pode surgir antes do nascimento
atualizado
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Um comportamento comum do dia a dia pode começar muito antes do nascimento. De acordo com um estudo publicado na revista Current Biology em 5 de maio, aquele bocejo que costuma surgir quando alguém vê outra pessoa bocejando também pode acontecer entre mãe e bebê ainda durante a gestação.
Pesquisadores da Universidade de Parma, na Itália, acompanharam mulheres grávidas enquanto observavam suas expressões faciais e, ao mesmo tempo, monitoravam os movimentos dos fetos por meio de ultrassom. A análise mostrou que os bebês tinham maior probabilidade de bocejar depois que as mães bocejavam, geralmente com um intervalo de cerca de 90 segundos.
Até então, o bocejo fetal era visto principalmente como um processo biológico interno, ligado ao desenvolvimento. Os novos dados sugerem que esse comportamento pode estar associado a uma forma inicial de interação entre mãe e filho.
Como o estudo foi feito
A pesquisa envolveu 38 mulheres entre a 28ª e a 32ª semana de gestação, todas com gravidez considerada saudável. Durante o experimento, elas assistiram a três tipos de vídeos em um ambiente controlado, incluindo imagens de pessoas bocejando, movimentos da boca e rostos sem expressão.
Enquanto isso, uma câmera registrava o rosto das participantes e um aparelho de ultrassom em duas dimensões captava imagens em tempo real do rosto dos fetos. Especialistas analisaram as gravações sem saber qual vídeo estava sendo exibido para evitar interferências na interpretação dos dados.
Os resultados mostraram que os bocejos dos fetos aumentaram especificamente quando as mães bocejavam. O mesmo não aconteceu quando elas apenas abriam e fechavam a boca ou mantinham o rosto neutro.
Os pesquisadores também utilizaram ferramentas de inteligência artificial para acompanhar com precisão os movimentos faciais e identificar semelhanças entre mãe e bebê.
Conexão começa antes do nascimento
O bocejo em fetos não é uma novidade para a ciência. Ele costuma surgir por volta da 11ª semana de gestação e está ligado ao desenvolvimento de músculos e funções relacionadas à respiração.
A diferença é que, neste estudo, o comportamento não apareceu de forma aleatória. A repetição após o bocejo materno sugere um tipo de sincronização que pode indicar uma conexão mais complexa entre mãe e filho ainda no útero.
Segundo os autores, esse fenômeno é chamado de contágio comportamental pré-natal. A hipótese é que o corpo da mãe possa influenciar diretamente as respostas do feto, embora os mecanismos por trás disso ainda não estejam totalmente claros.
Para os pesquisadores, entender como esse tipo de interação acontece pode ajudar a ampliar o conhecimento sobre o desenvolvimento humano antes do nascimento. Estudos futuros devem investigar se esse tipo de resposta tem impacto em aspectos emocionais ou sociais ao longo da vida.
