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Saúde

B12: nova diretriz atualiza critérios para diagnosticar e repor vitamina

Diretriz brasileira fixa limite mínimo em 300 pg/mL e recomenda monitoramento anual para usuários de metformina e protetores gástricos

06/10/2026 02:00
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Imagem de uma idosa segurando uma pílula de vitamina b12 - Metrópoles

Um consenso inédito elaborado por seis especialidades médicas brasileiras concluiu que as vias oral, sublingual e intramuscular possuem eficácia equivalente para normalizar os níveis de vitamina B12 no organismo de pessoas com deficiência do nutriente.

Publicado na revista científica eClinicalMedicine, do grupo The Lancet, o estudo orienta a prática clínica no país e aponta que a escolha do tratamento deve priorizar a adesão e a tolerância do paciente.

A carência do nutriente atinge até 30% dos idosos e 40% dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, podendo causar anemia megaloblástica e danos neurológicos irreversíveis.

Elaborado por endocrinologistas, hematologistas, gastroenterologistas, cirurgiões bariátricos, geriatras e neurologistas, o documento supre a falta de diretrizes nacionais e uniformiza as condutas de reposição.

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“O consenso mostra que, para a maioria dos grupos avaliados, há mais de uma possibilidade de reposição, o que permite individualizar a escolha também de acordo com aquilo que o paciente tolera melhor e consegue manter ao longo do tratamento”, explica o endocrinologista Fábio Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e um dos autores do trabalho.

Novos valores para diagnóstico de deficiência

A nova diretriz estabelece parâmetros claros para o diagnóstico laboratorial: valores abaixo de 200 pg/mL confirmam a deficiência, enquanto taxas entre 200 e 300 pg/mL são consideradas limítrofes. Nesses casos intermediários, recomenda-se a dosagem de marcadores funcionais, como o ácido metilmalônico e a homocisteína, para confirmar o quadro. Taxas acima de 300 pg/mL indicam níveis adequados.

“O ácido metilmalônico e a homocisteína são muito importantes para confirmar essa deficiência”, pontua Moura. “Alguém com B12 em valor limítrofe e ácido metilmalônico elevado tem deficiência de B12. Na prática clínica, contudo, é difícil dosar o ácido metilmalônico de rotina porque ele custa mais de R$ 1 mil, o que inviabiliza o uso rotineiro”, pondera o médico. Ele ressalta a importância de correlacionar os exames aos sintomas de dor neuropática ou alteração cognitiva.

O alerta do consenso estende-se ao uso crônico de medicamentos que afetam a absorção gástrica, como os inibidores de bomba de prótons (omeprazol e pantoprazol) e a metformina. Pacientes que utilizam essas drogas por mais de seis meses devem passar por triagem anual.

“Talvez a classe terapêutica mais associada com deficiência de B12 seja o inibidor de bomba de próton, além da metformina. Todo paciente em uso crônico deve ter sua vitamina B12 checada pelo menos uma vez por ano”, reforça o especialista.

Como conseguir a vitamina B12 na rotina

A alimentação é a porta de entrada primária para o nutriente, que é sintetizado por bactérias e acumulado quase exclusivamente em alimentos de origem animal. Por essa razão, grupos com dietas restritivas exigem atenção suplementar.

“Não existe indicação para que toda a população use B12 indiscriminadamente. A necessidade de suplementação depende principalmente do padrão alimentar e de fatores individuais que aumentem o risco de deficiência. Para determinados grupos, a suplementação é uma recomendação prática porque a alimentação habitual não fornece uma fonte confiável da vitamina. A indicação deve considerar alimentação, sintomas, exames e condições que possam comprometer a absorção”, afirma a nutricionista Fernanda Castro.

Para a população vegetariana e vegana, o planejamento preventivo e o acompanhamento nutricional individualizado são estratégias centrais para evitar prejuízos à disposição e ao foco mental no cotidiano.

“Vegetarianos, principalmente veganos, precisam ter suplementação regular ou utilizar alimentos efetivamente fortificados com B12. Não é adequado esperar o aparecimento de sintomas ou alterações nos exames para começar a suplementar. A dose e a frequência dependem da alimentação, da idade, do histórico clínico e da capacidade de absorção. Por isso, o ideal é individualizar a suplementação e acompanhar periodicamente os marcadores laboratoriais”, explica Fernanda.

Embora as vias oral e sublingual sejam eficazes na maioria dos casos, inclusive em quadros de má absorção, mediante ajuste de dose, a via injetável permanece como alternativa para urgências ou comprometimentos neurológicos severos.

“Nos casos onde se exige uma reposição mais rápida, por exemplo, quando existe um acometimento neurológico muito significativo, a via parenteral pode ter preferência”, destaca Moura.

O monitoramento deve ser iniciado um mês após o início da reposição, com reavaliações subsequentes aos três e seis meses. A padronização dessas condutas garante maior segurança diagnóstica e evita sequelas cognitivas e motoras permanentes.