
Após 1º turno, Lula diz que carregou “nas costas” a “promiscuidade” no STF
Presidente também disse que Supremo Tribunal Federal está sob “desconfiança da sociedade” e defendeu nova reforma do Judiciário
05/10/2026 20:15, atualizado 05/10/2026 20:42

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (5/10), que está “carregando nas costas” a “promiscuidade” que, segundo ele, se estabeleceu no Supremo Tribunal Federal (STF) após as revelações relacionadas ao Banco Master. A declaração foi feita na primeira reunião da coordenação de campanha após o primeiro turno das eleições, que teve Flávio Bolsonaro (PL) na dianteira pelo Palácio do Planalto.
“Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte Brasileira depois dessa denúncia”, disse Lula.
Confira o vídeo:
Sem citar nominalmente o escândalo do caso Master, o presidente defendeu uma nova reforma no Poder Judiciário e disse que o tema precisará ser discutido ainda durante a campanha de 2º turno.
“Quando você chega numa situação em que a Suprema Corte está sob a desconfiança da sociedade, algo é muito grave. Então, esses são temas que nós vamos ter que encarar nessa campanha”, declarou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA crítica do presidente se deu no contexto das denúncias recentes envolvendo integrantes do Supremo e o caso Banco Master. Alguns ministros da Corte, como Alexandre de Moraes, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, tornaram-se alvo de questionamentos sobre contatos e procedimentos relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O escândalo do Master e do STF
- O desgaste citado por Lula nesta segunda já preocupava a campanha desde o início de setembro.
- Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo do documento da Polícia Federal (PF) que apontava encontros entre Vorcaro e Moraes.
- No dia seguinte, integrantes do núcleo da campanha admitiram que uma associação entre Lula e Moraes poderia prejudicar o presidente.
- Em 2 de setembro, Mendonça confirmou que havia se reunido por cerca de duas horas com Vorcaro, em março de 2025, antes de assumir a relatoria do caso Master.
- Em 9 de setembro, Flávio Dino citou o encontro do colega em uma decisão e afirmou que o episódio tornava “mais grave” uma possível interferência de Mendonça em competências de outros ministros.
- O caso também entrou na estratégia eleitoral de Flávio. Em 17 de setembro, durante passagem pelo Nordeste, o candidato do PL passou a associar Lula à crise no Supremo e a Moraes, numa tentativa de reduzir a vantagem do petista na região.
- A ofensiva ocorreu dois dias depois da sessão extraordinária do STF que discutiu os desdobramentos das mensagens de Vorcaro.
Na reunião, Lula também discutiu a estratégia para os 20 dias de campanha até o segundo turno. “São 20 dias, mas é melhor. Vamos dormir menos, vamos trabalhar mais”, afirmou.
O petista terminou o primeiro turno com 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio. A diferença entre os dois foi de pouco mais de 2,3 milhões de votos.
Derrotas do PT e debates no 2º turno
Na reunião, Lula afirmou que aliados que não foram eleitos no primeiro turno das eleições não devem culpar ou criticar os eleitores pelo resultado das urnas. O petista disse que, em alguns casos, o eleitor deixa de votar em um candidato porque não compreendeu a mensagem.
“Não brigue com o eleitor. Não fale mal do eleitor porque não votou em vocês”, afirmou Lula. “Às vezes o povo não vota porque o povo não nos compreendeu. Nem sempre quando a gente abre a boca, o que a gente fala as pessoas compreendem. Então nós temos que ter humildade”, disse.
Como estratégia para a nova etapa da campanha, Lula defendeu a realização de debates na televisão. Segundo o presidente, o segundo turno permite um confronto direto entre os dois candidatos.
“Agora é importante ter debate na televisão porque agora é tête-à-tête. Agora é um contra um. É cada um poder explicar qual é o debate”, afirmou.
A campanha de Lula já havia sinalizado que o presidente pretende participar dos debates no segundo turno. O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e coordenador da campanha, Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira que o petista deve participar do maior número possível de confrontos.
O primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro deve ocorrer no domingo (11/10), às 20h, na Band, em parceria com outros veículos de comunicação.
Caso os dois compareçam, será o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro nesta eleição. No primeiro turno, os dois não participaram juntos de nenhum debate televisionado.
Ao final da reunião, Lula reforçou a confiança na disputa pelo segundo turno e citou sua experiência em eleições presidenciais.
“Ninguém foi para o segundo turno mais do que eu e também ninguém ganhou mais eleições do que eu para a Presidência”, afirmou. “Se preparem porque nós vamos ganhar as eleições aqui.”













