Alimentação saudável e menos açúcar podem reduzir o risco de demência
Estudo associa dieta com mais vegetais, frutas e menos açúcar a menor risco de demência, inclusive em pessoas com sinais de Alzheimer

Uma dieta anti-inflamatória pode estar associada a um menor risco de desenvolver demência, inclusive entre pessoas que já apresentam sinais biológicos precoces da doença de Alzheimer. A conclusão foi publicada na revista JAMA Network Open, em 25 de junho deste ano.
A pesquisa acompanhou mais de 1.800 adultos com 60 anos ou mais, na Suécia, que não tinham demência no início do estudo. Os participantes responderam questionários detalhados sobre alimentação durante seis anos e foram acompanhados por até 15 anos.
Durante o período de acompanhamento, 240 participantes receberam diagnóstico de demência. Os pesquisadores também analisaram três biomarcadores sanguíneos relacionados à doença de Alzheimer e a outros tipos de lesão cerebral.

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Ver todasDe acordo com os resultados, as pessoas que seguiam uma dieta anti-inflamatória apresentavam menor potencial inflamatório e tiveram menos chance de desenvolver demência, inclusive entre aquelas que já apresentavam maior risco biológico para a doença.
Entre os participantes com níveis elevados do biomarcador p-tau217, associado ao Alzheimer, aqueles que mantinham uma dieta anti-inflamatória foram relacionados a uma redução de 29% no risco de demência. Reduções semelhantes também foram observadas em pessoas com outros biomarcadores ligados à lesão de células nervosas e à inflamação.
No estudo, os pesquisadores observaram que participantes que consumiam mais vegetais, frutas, oleaginosas, leguminosas e grãos integrais, e menos bebidas açucaradas, alimentos ultraprocessados e carnes vermelhas apresentavam dietas com menor potencial inflamatório.
Os autores ressaltam que o estudo é observacional e não comprova uma relação de causa e efeito entre alimentação e prevenção da demência. Ainda assim, os resultados reforçam que adotar uma dieta anti-inflamatória pode ser uma estratégia promissora para reduzir fatores de risco modificáveis relacionados ao declínio cognitivo.
Segundo médica emergencista Leana Wen, não existe um plano alimentar oficialmente chamado de dieta anti-inflamatória. Em vez disso, o termo descreve um padrão alimentar associado a níveis mais baixos de inflamação crônica no organismo.
“A principal mensagem não é que exista uma dieta ideal para todos. Buscar uma alimentação baseada em alimentos integrais e minimamente processados, limitando os ultraprocessados, parece beneficiar muitos aspectos da saúde, incluindo o cérebro”, afirma em entrevista à CNN Internacional.


