Afeto, companhia e conforto: como pets ajudam no bem-estar emocional
Psicóloga explica como a convivência com animais pode reduzir a sensação de solidão, organizar a rotina e favorecer sentimentos bons

Para muitas pessoas, chegar em casa e encontrar um cachorro esperando na porta ou um gato procurando carinho faz parte da rotina. Além da companhia, a convivência com animais de estimação pode trazer benefícios emocionais ligados ao afeto, à criação de vínculos e até à organização do dia a dia.
Segundo a psicóloga Mariane Pires Marchetti, o animal pode se tornar uma presença importante tanto nos momentos positivos quanto em períodos mais difíceis.
“A convivência com um pet pode proporcionar afeto, companhia, conforto e uma sensação de conexão. Para muitas pessoas, o animal se torna uma presença importante nos momentos de alegria e também nos momentos difíceis, contribuindo para o bem-estar emocional”, afirma.

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Um dos benefícios está justamente na presença constante do animal. A relação construída com cães, gatos e outros pets pode diminuir a sensação de estar sozinho e criar oportunidades diárias de interação e afeto.
A convivência também pode proporcionar pequenas pausas nas preocupações. “Brincar, acariciar ou passear com o pet também pode ajudar a pessoa a se afastar por alguns momentos das preocupações e dos pensamentos repetitivos”, explica Mariane.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaPara algumas pessoas, o vínculo ainda favorece sentimentos de segurança emocional e pertencimento. O animal passa a integrar a rotina familiar e estabelece com o tutor uma relação marcada por cuidado, proximidade e companhia.

Cuidar também traz propósito
Ter um animal, porém, não envolve apenas receber carinho. Alimentar, passear, brincar, limpar o ambiente e acompanhar a saúde do pet exigem responsabilidade e constância.
Na avaliação da psicóloga, tais compromissos podem ajudar a estruturar os dias. O impacto pode ser especialmente relevante para quem atravessa períodos de desânimo ou isolamento.
“Alimentar, passear, brincar e cuidar da saúde do animal cria compromissos diários e ajuda a estruturar a rotina. Para alguém que está passando por um período de desânimo ou isolamento, essas responsabilidades podem trazer uma sensação de utilidade, organização e propósito”, afirma.
Os possíveis efeitos da convivência com animais também são objeto de pesquisas científicas. Um estudo publicado nessa segunda-feira (17/8) no Journal of Adolescence analisou 514 adolescentes dos Estados Unidos, com idades entre 13 e 17 anos e níveis elevados de ansiedade social, além de um responsável por participante.
Os pesquisadores investigaram diferentes características da relação dos jovens com seus cães e como elas estavam associadas às estratégias utilizadas para enfrentar situações de estresse envolvendo pessoas da mesma idade.
A companhia proporcionada pelos cães e a participação nos cuidados com os animais foram associadas a estratégias consideradas mais adaptativas para lidar com o estresse, incluindo resolução de problemas, regulação emocional, pensamentos positivos e expressão dos sentimentos.
Os resultados, porém, não significam que ter um cachorro provoque diretamente melhora emocional. O estudo identificou associações e não permite estabelecer uma relação de causa e efeito.
A pesquisa também mostrou que o tipo de vínculo importa. Enxergar o cão como substituto para relações humanas foi associado a estratégias menos adaptativas diante do estresse. O resultado reforça que a presença do animal pode ser parte de uma rede de apoio, mas não deve ocupar o lugar das relações sociais.

Quando o apoio do pet não é suficiente
Apesar dos benefícios que a convivência pode proporcionar, ter um animal não funciona como tratamento para problemas de saúde mental. O limite precisa ficar claro principalmente quando sintomas começam a interferir na rotina.
“O animal pode ser uma importante fonte de apoio emocional, mas não substitui acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. Quando existe um sofrimento intenso ou persistente, ansiedade ou tristeza que começam a prejudicar a rotina, isolamento, crises frequentes ou dificuldade para realizar atividades do dia a dia, é importante buscar ajuda profissional”, orienta Mariane.
A presença do pet, portanto, pode oferecer companhia, afeto, rotina e momentos de conforto, mas integra um conjunto mais amplo de relações e cuidados. “O pet pode fazer parte da rede de apoio, mas não deve carregar sozinho a responsabilidade pela saúde emocional do tutor”, resume a psicóloga.



