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Ciência

Macacos e símios podem ter outros animais como pets, revela estudo

Segundo o estudo, macacos e símios cuidam, têm relações de afeto e até adotam outros indivíduos com certa frequência na natureza

03/08/2026 13:46, atualizado 03/08/2026 14:30
Divulgação/Primates (2026)/Neil Challis
Imagem colorida mostra macacos cuidando de cachorro - Metrópoles

Assim como humanos, macacos podem ter animais de estimação. É o que afirma um novo estudo que analisou mais de 420 casos de interação entre primatas não humanos e outras espécies. A revisão reuniu evidências da literatura científica, relatos da mídia e pesquisa com primatologistas.

A nova pesquisa é a mais abrangente até o momento em relação ao comportamento social entre espécies de primatas. Na revisão, foram documentados casos envolvendo 88 espécies de primatas e 127 espécies parceiras, sendo 55 delas não primatas.

O principal achado é que macacos e símios (outro grupo de primatas) cuidam, têm relações de afeto e até adotam outros indivíduos com certa frequência na natureza. A descoberta foi liderada por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Os resultados foram publicados na revista Primates em 21 de julho.

Na natureza, normalmente animais de espécies distintas vivem juntos por outros motivos, como a proteção contra predadores ou facilidade para buscar comida. Mas, nas situações estudadas pelos pesquisadores, os primatas demonstram curiosidade, tolerância e cuidado com animais de grupos totalmente diferentes.

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Entre os principais casos encontrados, estão de macacos-de-cauda-curta cuidando de cachorros na Tailândia; langures-cinzentos acariciando esquilos-gigantes no Sri Lanka; macacos-de-nariz-arrebitado-preto-e-branco brincando com porcos na China; e lêmures-de-cauda-anelada cuidando de lêmures-bambu em Madagascar.

Uma das situações que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi um achado inédito de macacos-prego selvagens adotando e cuidando de um filhote de sagui no Brasil, em 2006. 

“Esses comportamentos não se configuram como o cuidado com animais de estimação que conhecemos, mas podem representar alguns dos alicerces evolutivos a partir dos quais a companhia entre humanos e animais acabou por emergir”, afirma o autor principal do estudo, Cyril Grueter, em comunicado.

Por outro lado, em alguns dos encontros estudados, o final não foi feliz: em 13 casos, um dos animais parceiros morreu. De acordo com os pesquisadores, os achados da pesquisa ajudarão a compreender melhor como surgiu a relação entre humanos e animais e ainda podem auxiliar a melhorar a gestão de grupos mistos de animais em zoológicos e santuários. 

“De forma mais ampla, essas descobertas fornecem novos conhecimentos sobre a evolução da empatia, da flexibilidade social e da notável capacidade de os primatas interagirem com animais de outras espécies”, conclui Grueter.