Macacos têm nível de habilidade geométrica semelhante ao de crianças
A descoberta vem de uma nova pesquisa que mostra que as habilidades geométricas não são exclusivas dos humanos

Ao realizar testes com primatas e humanos, pesquisadores internacionais chegaram à conclusão de que macacos têm um nível de reconhecimento de figuras geométricas parecido com o de crianças em idade pré-escolar. Segundo os especialistas, a descoberta evidencia que o raciocínio geométrico não é uma característica exclusivamente humana, estando presente também nesses animais, mas de uma forma menos desenvolvida.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores realizaram testes envolvendo oito macacos de duas espécies diferentes, crianças em idade pré-escolar e adultos com pouca escolaridade formal. Os experimentos foram liderados pela Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, e os achados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences nessa segunda-feira (20/7).
Como foram feitos os testes
Os três grupos tinham que realizar uma tarefa com uma tela sensível ao toque em que apareciam figuras geométricas. Na ação, eles deviam encontrar os pares das imagens, mesmo que não fossem idênticos em relação a posição ou tamanho. Antes da atividade, as crianças e os adultos receberam poucas explicações dos pesquisadores para executá-la e tinham de acertar por tentativa e erro.
As respostas certas causavam um som “bing” positivo na tela e, no caso das crianças e macacos, ambos recebiam recompensas ao escolher os pares corretamente.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAo analisar os desempenhos, os cientistas perceberam que os macacos e as crianças tiveram um nível de dificuldade e desempenho parecidos.
“Os resultados sugerem que o pensamento abstrato não é uma habilidade do tipo ‘tudo ou nada’ que surgiu repentinamente nos humanos. Em vez disso, alguns dos fundamentos cognitivos do raciocínio matemático parecem ser compartilhados entre os primatas, com a educação e a cultura humana se baseando nessas antigas capacidades biológicas”, afirma uma das autoras do estudo, Jessica Cantlon, em entrevista ao portal ScienceAlert.
Por outro lado, os adultos tiveram uma performance superior em relação aos outros dois grupos. Sem conhecimento prévio sobre figuras geométricas, a performance parecida entre crianças e primatas se baseou em um processamento intuitivo.
Segundo os autores, o resultado indica que a representação simbólica não pertence somente aos humanos, mas também está presente em nossos ancestrais mais próximos, como os primatas. A habilidade só é mais desenvolvida em nossa espécie, pois somos estimulados por meio da educação formal que recebemos ao longo da vida.
“Nosso estudo mostra que a educação formal fortalece a representação geométrica simbólica. Porém, já existem intuições geométricas abstratas nos seres humanos – intuições sobre propriedades métricas e ângulos – que são compartilhadas com outros primatas. Em vez de criar o pensamento matemático do zero, a escolarização pode refinar e ampliar habilidades cognitivas ancestrais que a evolução vem moldando há milhões de anos”, conclui Jessica.



