Wi-fi da Prefeitura: deputada aciona ANPD sobre suspeita de uso de dados

Sâmia Bonfim pediu investigação sobre possíveis violações de dados pessoas do programa WiFi Livre SP, da Prefeitura de São Paulo

atualizado

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Imagem colorida de placa do programa Wi-Fi Livre em SP. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de placa do programa Wi-Fi Livre em SP. Metrópoles - Foto: Fabio Arantes/ Secom

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSol) protocolou uma representação junto à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para que sejam investigadas possíveis violações de dados pessoais do programa WiFi Livre SP, da Prefeitura de São Paulo.

O documento pede abertura de procedimento de fiscalização para apurar a eventual coleta, compartilhamento e utilização irregular de dados pessoais, especialmente números de telefone celular fornecidos por usuários para acesso à rede pública de internet.

A medida foi tomada após uma reportagem do site The Intercept apontar que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que firmou um contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura, contratou uma empresa terceirizada, a Talk Communications, por cerca de R$ 2,7 milhões, para realizar disparos em massa de mensagens e “marketing digital” visando a promoção do serviço.

“Se confirmadas, as denúncias apontam para uma violação muito séria do direito à privacidade e à proteção de dados pessoais. Pessoas que acessaram um serviço público podem ter tido suas informações utilizadas para finalidades completamente diferentes daquelas que justificaram a coleta desses dados. Isso é algo que precisa ser rigorosamente investigado”, afirma Sâmia.

Entre os pedidos apresentados à ANPD, a parlamentar solicita a requisição de contratos, termos de parceria, políticas de privacidade e registros de tratamento de dados relacionados ao programa WiFi Livre SP, além de avaliar a adoção de medidas cautelares para impedir a continuidade de eventual tratamento irregular de dados.

ICB investigado

Karina Ferreira da Gama, dona do Instituto Conhecer Brasil (ICB), é investigada por suposto desvio de dinheiro público a partir do contrato assinado com a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de wi-fi na capital. A empresária é dona da Go Up Entertainment e produtora executiva do filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Karina Ferreira da Gama, dona da produtora de Dark Horse e de ONG envolvida em ofício do TCU
Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Operação da Polícia Civil de SP
De cachê atrasado a vigilância em banheiro: como foi fazer Dark Horse
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De cachê atrasado a vigilância em banheiro: como foi fazer Dark Horse

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Karina Ferreira da Gama, dona da produtora de Dark Horse e de ONG envolvida em ofício do TCU
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Karina Ferreira da Gama, dona da produtora de Dark Horse e de ONG envolvida em ofício do TCU

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Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

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Polícia investiga desvio em programa Wi-Fi Livre da Prefeitura de São Paulo
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Polícia investiga desvio em programa Wi-Fi Livre da Prefeitura de São Paulo

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A suspeita de desvio de recursos públicos para abastecer a obra, bem como de uma série de falhas e indícios de conduta ilegal na contratação do ICB, levaram a Polícia Civil a cumprir, na segunda-feira (1º/6), sete mandados de busca e apreensão relacionados a supostas fraudes, incluindo a sede da Go Up e endereços ligados a Karina, em São Paulo.

A Polícia Civil destacou que o instituto não tem qualquer experiência ou capacidade técnica no setor de comunicação. O histórico da empresa é limitado à operação de feiras de livros e eventos de natureza literária ou religiosa.

A investigação também aponta que o Termo de Colaboração foi assinado com valores discrepantes em relação aos praticados pelo mercado. O ICB cobrou pagamento mensal de R$ 1.800 por ponto de internet instalado, valor 3,3 vezes maior do que o cobrado pela empresa pública municipal de tecnologia, a Prodam.

Vistorias e análises preliminares indicaram “descumprimento drástico” das metas acordadas. O cronograma inicial previa a entrega de 5 mil pontos de wi-fi até junho de 2025, mas apenas 3,2 mil foram instalados. Além disso, a Prefeitura de São Paulo antecipou pagamentos no valor de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação, incluindo repasses superiores a R$ 11 milhões relativos aos 3.200 pontos, embora somente seis deles estivessem funcionando no período.

Em relação ao filme sobre Jair Bolsonaro, a Polícia Civil aponta possível financiamento cruzado ilícito, já que a produtora do longa é controlada por Karina. Segundo a investigação, há suspeitas de que os recursos públicos da Prefeitura de São Paulo recebidos pelo ICB tenham sido ilegalmente desviados para financiar a obra.

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