Prefeitura se manifesta sobre operação contra produtora de Dark Horse
Operação da Polícia Civil deflagrada nesta segunda (1º/6) investiga suspeita de fraude envolvendo licitação da prefeitura e produtora
atualizado
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A Prefeitura de São Paulo se manifestou na manhã desta segunda-feira (1º/6) sobre a Operação Wi-Fi, deflagrada pela Polícia Civil para investigar suspeita de fraude envolvendo licitação da gestão municipal que contratou o Instituto Conhecer Brasil (ICB), produtora do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, Dark Horse. A investigação aponta que parte da produção possa ter sido financiada por contrato público firmado entre a ONG e a administração municipal.
Em nota, a prefeitura afirmou que colabora com as investigações e que todo
o material requisitado na manhã desta segunda já havia sido encaminhado às autoridades.
Segundo as investigações, o termo de colaboração entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e o IBC, de Karina Ferreira da Gama, previa o pagamento de R$ 108 milhões para implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede pública de internet sem fio em comunidades periféricas da capital. A prefeitura diz que “não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade”.
Disse, ainda, que “o processo passou por acompanhamento do Tribunal de Contas do Município (TCM)” e que “repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do ICB seguiu rigorosamente os princípios de legalidade, transparência e economicidade”.
A gestão salientou que o chamamento público ocorreu em 2024 e ficou aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, “quando não havia sequer produção do filme mencionado”. “Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022 de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês”, afirma.
Entenda as suspeitas
- Falta de capacidade técnica: a polícia apontou que o chamamento público teve a participação exclusiva do ICB, entidade considerada sem experiência no setor de telecomunicações, com atuações somente em feiras de livros e eventos religiosos.
- Superfaturamento: enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB estipulou o pagamento de R$ 1.800 fixos por ponto, um valor injustificadamente superior aos parâmetros de mercado.
- Descumprimento de metas e fraude em aditivos: a entidade instalou apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos. Para ocultar a demora, foram celebrados três termos aditivos em intervalos de poucos dias.
- Pagamentos indevidos e antecipados: a administração municipal teria realizado a antecipação de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação. Foram identificados repasses relativos a 3.200 pontos, quando, na realidade, apenas seis funcionavam no período.
A Operação Wi-Fi, deflagrada na manhã desta segunda, investiga suspeitas de que recursos teriam sido desviados do contrato para a produtora Go Up Entertainment Ltda, controlada por Karina, para subsidiar a produção do filme Dark Horse.
O Metrópoles procurou a defesa de Karina Gama e do ICB para se posicionar sobre o caso, mas não houve retorno até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto.












