Em vídeo, Haddad foca em educação com frase de Tarcísio sobre diploma
Pré-candidato ao governo de São Paulo destacou iniciativas petistas para a educação e criticou “desprezo” do atual governador
atualizado
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O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), publicou um vídeo comparando as políticas para a educação petistas com as do atual governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na postagem, feita nessa quinta-feira (23/4), Haddad sugeriu que o adversário despreza e ataca o ensino público e incluiu o trecho de uma gravação em que Tarcísio diz que o “diploma universitário não é mais importante”.
Além da fala de Tarcísio, o ex-ministro da Educação relembrou casos como os erros de português de um policial militar durante aula em escola cívico-militar e o documentário de uma produtora de direita com ataques a professores e à ideologia de gênero em escolas.
“O que esses três casos absurdos têm em comum? No fundo, vêm da mesma ideia: a de que educação não é prioridade, pelo menos quando eles tratam dos filhos dos trabalhadores. São cenas que me causam uma indignação profunda porque revelam desprezo por algo que pra mim é sagrado: a educação, o conhecimento e o ensino público”, disse Haddad.
Em contrapartida, o pré-candidato citou iniciativas como o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Proinfância e a construção de Institutos e Universidades Federais na gestão petista. “Programas que eu tive orgulho de criar quando fui ministro da Educação do governo Lula”, afirmou. “Tudo isso não aconteceu por acaso. Aconteceu porque existe um projeto de país que sabe que o filho do trabalhador também pode ser médico, engenheiro, professora, advogada, historiador. E que acredita que, com mérito próprio e oportunidades justas, a nossa juventude pode sonhar cada vez mais alto”, finalizou.
Erros de português em escola
- Um policial militar cometeu erros de português ao escrever duas palavras em uma lousa no primeiro dia de funcionamento do modelo cívico-militar na Escola Estadual Professora Luciana Damas Bezerra, em Caçapava, interior de São Paulo, em fevereiro.
- O PM e outro agente faziam uma explicação sobre os movimentos clássicos de ordem dos militares, como sentido e continência, quando o episódio aconteceu.
- Enquanto o segundo agente falava com os estudantes, o primeiro foi à lousa para escrever o nome dos movimentos. Foi quando o policial escreveu “descançar”, ao invés de “descansar”, e “continêcia” no lugar de “continência”.
- Os policiais que aparecem nas imagens atuam como monitores na escola e passaram por um processo seletivo para serem contratados.
- Na época, o Metrópoles questionou a Secretaria da Educação sobre o episódio. Em nota, a pasta disse que “todo o conteúdo pedagógico é elaborado e aplicado pelos docentes da escola” e que os monitores estão passando “orientações sobre as atividades de disciplina e promoção de valores cívicos”.
- Segundo a secretaria, os PMs seriam submetidos a processos semestrais de avaliação de desempenho para verificar adaptação e permanência em cada unidade escolar.
- O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) defende o modelo cívico-militar como forma de melhorar a qualidade de ensino. Na prática, no entanto, especialistas em educação dizem que não há estudos que comprovem que a militarização tem efeitos sobre a melhoria da aprendizagem.
“Diploma universitário tem menos relevância”
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou, em novembro do ano passado, que o mercado de trabalho tem dado cada vez menos importância para os diplomas, enquanto tem priorizado as habilidades das pessoas na hora de contratar funcionários.
“A gente está dando uma coisa pra vocês que é fundamental: ferramenta. O mercado é cada vez mais exigente, mais seletivo e menos desapegado dos diplomas. Diploma cada vez tem menos relevância; a competência tem cada vez mais relevância. O mercado está cada vez mais interessado em saber o seguinte: quais são as suas habilidades e menos interessado em onde você se formou”, disse ele durante evento sobre a expansão do ensino médio técnico nas escolas da rede estadual do estado.
Segundo o governador, os alunos estão recebendo as ferramentas que interessam para atuar no mercado de trabalho já na escola. Na sequência, o governador disse que as instituições estavam “enchendo” os alunos das ferramentas necessárias para se desenvolverem bem.
No final do ano passado, a Secretaria da Educação anunciou que a meta da expansão do ensino técnico é atingir 230 mil alunos matriculados na modalidade em 2026, um aumento de 85,48% em relação às 124 mil matrículas no modelo atualmente.
Mesmo com essa expansão, no entanto, o número passa longe de atingir um objetivo que o secretário da Educação, Renato Feder, tinha no início da gestão: chegar ao último ano do governo com metade dos mais de um milhão de estudantes de ensino médio matriculados no técnico.
Questionado sobre o tema pelo Metrópoles, o secretário disse que esta é uma meta para o estado a longo prazo. “Essa meta não era para os primeiros anos de gestão. Era uma meta a longo prazo, porque mesmo quando você olha para a Europa, é difícil subir dos 50%. Então, eu vejo que em alguns anos, São Paulo vai chegar a 50%.”
A secretaria afirma que, somando os estudantes do ensino médio técnico na rede com aqueles já matriculados nas Escolas Técnicas (Etecs), do Centro Paula Souza, o estado terá 321 mil jovens na educação profissional, o que equivaleria a 40% dos alunos da 2º e 3º ano da última etapa da educação básica.
O número de escolas que vão oferecer o ensino profissionalizante no estado vai sair de 1.813 para 2.212 unidades. Durante o evento, Tarcísio disse que os números mostram que o governo está “na direção certa”.
