Tarcísio projeta voto útil e atua para quebrar resistências a Flávio
Coordenador da campanha do senador em SP, governador projeta movimento de voto útil no primeiro turno, prejudicando Ronado Caiado
atualizado
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Com a pré-camapanha presidencial polarizada, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), avalia que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode ser beneficiada por um movimento de voto útil na reta final do primeiro turno das eleições de outubro, prejudicando o pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD).
Segundo a projeção, o eleitorado que rejeita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perceberia que o “filho 01” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seria o único capaz de derrotar o petista.
Caso Caiado não pegue tração, o veterano político correria ainda, segundo interlocutores de Tarcísio, o risco de ficar atrás de Renan Santos (Missão), fundador do MBL, que pode crescer nas pesquisas se conseguir atrair o eleitorado jovem, antissistema e que rejeita políticos tradicionais.
Na última pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (15/4), o líder do MBL aparece com 2% das intenções de voto, ao lado do escritor Augusto Cury (Avante), que anunciou recentemente a intenção de concorrer. No levantamento, Lula tem 37%, seguido de Flávio (32%), Caiado (6%) e Romeu Zema (3%).
Otimista, Tarcísio avalia que Lula deve ter dificuldades de vender um novo projeto político nesta eleição, após não conseguir reverter as políticas do atual mandato em uma boa avaliação da população, devido, por exemplo, aos altos índices de endividamento.
Coordenador da campanha de Flávio em São Paulo, o governador pretende trabalhar para vencer resistências do setor produtivo ao nome do senador carioca, com o argumento de que o filho de Bolsonaro terá um projeto e uma equipe para apresentar na campanha.
Aliados de Tarcísio admitem que Flávio precisa convencer a elite econômica que não cometeria os mesmos equívocos do pai, tentando se mostrar como um político mais pragmático e moderado, movimento já iniciado pela pré-campanha.
Outra avaliação do grupo de Tarcísio é de que, embora não haja ligações claras entre Lula e o caso Master, o petista deve ser impactado pela crise de credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF), após ter se aproximado da Corte ao longo dos quatro anos de governo, “colando” sua imagem à instituição aos olhos da opinião pública.
Neste sentido, o entendimento é de que, mesmo que polidamente, Flávio terá que fazer mais acenos à militância radical e renovar críticas à atuação do STF, algo que, no momento da campanha, poderia ser feito mais facilmente digerido pelo eleitorado centrista, após a crise vivida hoje pelo Judiciário.

