Tarcísio vê “erro estratégico” do PT e traça plano contra Haddad
Tarcísio de Freitas tem dito a interlocutores que vai evitar estratégia do PT de tentar nacionalizar campanha e focará em temas de SP
atualizado
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem avaliado a interlocutores que considera um “erro estratégico” a aposta do PT, e do pré-candidato Fernando Haddad, em reivindicar a coautoria de obras entregues pelo governo paulista consideradas vitrines da gestão paulista.
Além disso, a ideia da campanha à reeleição é evitar a nacionalização da campanha, algo que o PT deve fazer.
Segundo avaliação do governador, o PT estaria buscando a “paternidade de operações de crédito“, em referência aos aportes feitos pelo BNDES em obras, como as do trecho norte do Rodoanel e a Linha 17 do Metrô. De acordo com aliados, Tarcísio acredita que a população não irá comprar essa narrativa e que “ninguém vai tirar o mérito das entregas de sua gestão”.
A pré-campanha de Haddad tem investido no discurso de que as obras entregues por Tarcísio só teriam sido possíveis graças aos repasses federais e aos financiamentos do BNDES. O assunto foi o tema da primeira inserção partidária do ex-ministro da Fazenda com foco nas eleições de outubro.
No vídeo, Haddad afirma que “nunca um governo federal trabalhou tanto por São Paulo”. “Grande parte dos investimentos do governo do estado são com recursos federais”, diz ele no conteúdo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também tem criticado Tarcísio em discursos de eventos no estado, dizendo que o governador esconde a participação do governo federal nos empreendimentos.
Nacionalização de campanha
A interlocutores, Tarcísio também avalia que o PT tentará nacionalizar a campanha. O objetivo seria focar em São Paulo e centrar o discurso nos feitos de sua gestão. Embora tenha uma avaliação crítica da atuação de Haddad no Ministério da Fazenda, Tarcísio pretenderia não priorizar a estratégia, evitando que o embate fuja muito das questões locais.
Para a coordenação do plano de governo, Tarcísio escalou a secretária Natália Resende, do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, considerada a principal figura da chamada “ala técnica” de sua gestão.
O Metrópoles mostrou que a campanha de Lula definiu o estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, como prioridade na busca pela reeleição do petista, e já tem trabalhado no levantamento de conteúdos para abastecer a artilharia contra Tarcísio.
Além de Haddad, outras figuras nacionais escaladas para o palanque do paulista são as ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet, que podem ser candidatas ao Senado, além do vice-presidente Geraldo Alckmin, que estará no front da campanha no estado.
Artilharia adversária
Enquanto o período eleitoral oficial não começa, o PT tem mobilizado equipes jurídicas para levantar temas que possam gerar desgaste ao chefe do Palácio dos Bandeirantes, que também vai coordenar a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em São Paulo, enquanto tentará se reeleger no estado.
Entre os assuntos que serão explorados pelos petistas está o escândalo envolvendo o Banco Master, que tem gerado desgaste ao governo Lula. A ordem é enfatizar as conexões de Daniel Vorcaro com o bolsonarismo, como as doações de R$ 5 milhões que Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do banqueiro, fez para as campanhas de Tarcísio e de Jair Bolsonaro (PL), em 2022.
Para se defender das eventuais acusações de ligação com o Master, Tarcísio deve argumentar que contou com mais de 700 doações de pessoas físicas na campanha e que só teria sabido quem era Zettel após a explosão do escândalo no noticiário.
A campanha do governador também argumentará que o cunhado de Vorcaro não era investigado à época e que o governo de São Paulo não se envolveu em nenhum tipo de transação envolvendo a instituição liquidada pelo Banco Central, como no caso do Rio de Janeiro, em que a Previdência estadual alocou recursos no Master.

