Transwolff: PMs são presos por escolta a dono de viação ligada ao PCC

Segundo a Corregedoria, PMs fizeram a segurança do dono da Transwolff entre os anos de 2020 e 2024, período em que a empresa foi investigada

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Jéssica Bernardo/Metrópoles
foto colorida de ônibus da Transwolff circulam normalmente no dia em que MPSP faz operação da empresa por suspeita de ligação com o PCC; na imagem, ônibus da empresa no Terminal Santo Amaro; Justiça tornou dirigentes da empresa réus - Metrópoles
1 de 1 foto colorida de ônibus da Transwolff circulam normalmente no dia em que MPSP faz operação da empresa por suspeita de ligação com o PCC; na imagem, ônibus da empresa no Terminal Santo Amaro; Justiça tornou dirigentes da empresa réus - Metrópoles - Foto: Jéssica Bernardo/Metrópoles

Três policiais militares (PMs) foram presos, nesta quarta-feira (4/2), suspeitos de fazer a segurança privada de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, dono da empresa de transportes Transwolff e apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os agentes foram presos durante uma operação deflagrada pela Corregedoria da Polícia Militar que cumpriu 16 mandados de busca e apreensão, além dos três mandados de prisão temporária contra os militares.

Um dos PMs presos foi identificado como capitão Alexandre Paulino Vieira, comandante da Assessoria Militar da Câmara Municipal e ex-ajudante de ordens de Milton Leite, ex-presidente da Casa. Ele foi preso em casa. Sua defesa não foi localizada. O espaço está aberto para manifestação.

Em nota, a assessoria da Câmara confirmou que o capitão Alexandre “integra o órgão desde outubro de 2014, ou seja, atuou ininterruptamente nas gestões de cinco presidentes”. “O cargo ocupado é de confiança e, nas atribuições relacionadas à Assessoria Militar na Câmara, não há nenhum registro que o desabone”, diz o texto.

Os outros dois PMs presos, inclusive o que guardava dinheiro em espécie segundo a imprensa, não são nem nunca foram servidores da Assessoria Militar da Câmara.

Segundo a Corregedoria, os três participaram efetivamente da gerência e execução de atividade de segurança pessoal e patrimonial de Pacheco. Além disso, os presos também cuidavam da escolta de Cícero de Oliveira, apontado como representante legal da Transwolff.

O órgão ainda afirmou que o serviço teria sido prestado entre os anos de 2020 e 2024, período investigado pela Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Polícia Militar, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Receita Federal.


Relembre

  • Transwolff e a UpBus estão sob intervenção da gestão municipal de São Paulo desde abril de 2024, quando foram alvo da Operação Fim da Linha por vínculo com o PCC.
  • O dono da Transwolff, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e o sócio da UpBus, Silvio Luís Ferreira, o Cebola, tiveram mandatos de prisão cumpridos em seus nomes durante a operação.
  • Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, a Transwolff recebeu um aporte de R$ 54 milhões da facção criminosa, obtido com tráfico de drogas e outros delitos, para participar da licitação do transporte público na capital paulista.
  • A Transwolff e a Upbus operam, respectivamente, as linhas de ônibus da zona sul e leste da cidade de São Paulo — e transportam, juntas, 700 mil passageiros na capital.

O que diz a empresa

Em nota, a empresa Transwolff afirmou não haver “qualquer fundamento nas alegações de suposta relação da empresa ou de seus representantes com atividades ilícitas ou com os policiais militares citados na reportagem”.

Acrescenta que “repudia veementemente qualquer tentativa de associação com organizações criminosas. A Transwolff segue se defendendo nas instâncias competentes e colaborando com as autoridades”.

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