PM preso por escolta ilegal é ex-ajudante de ordens de Milton Leite
PM preso nesta quarta (4) era comandante da Assessoria Militar da Câmara Municipal e já atuou como ajudante de ordens de Milton Leite
atualizado
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Um dos policiais militares (PMs) presos na operação da Corregedoria da Polícia Militar deflagrada nesta quarta-feira (4/2) trabalha na Câmara Municipal de São Paulo e é ex-ajudante de ordens de Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Casa. A operação mira agentes que fizeram a segurança pessoal de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, dono da empresa de transportes Transwolff, suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O Metrópoles apurou que o PM é Alexandre Paulino Vieira (foto de destaque). Atualmente, ele atuava como comandante da Assessoria Militar da Câmara. Segundo a Corregedoria, ele foi preso em casa.
Em nota, a assessoria da Câmara confirmou que o capitão Alexandre “integra o órgão desde outubro de 2014, ou seja, atuou ininterruptamente nas gestões de cinco presidentes”. “O cargo ocupado é de confiança e, nas atribuições relacionadas à Assessoria Militar na Câmara, não há nenhum registro que o desabone”, diz o texto.
Assim como a Câmara, a assessoria de Milton Leite lembrou que o capitão Alexandre trabalhou com cinco presidentes diferentes, a partir de 2014, com José Américo (PT). A defesa do capitão Alexandre não foi localizada. O espaço está aberto para manifestação.
Além dele, outros dois policiais militares foram presos, suspeitos de participarem efetivamente da gerência e execução de atividade de segurança pessoal e patrimonial de Pacheco. Além disso, os presos cuidavam da escolta de Cícero de Oliveira, o Té, apontado como representante legal da Transwolff.
A Corregedoria informou que o serviço de segurança teria sido prestado entre os anos de 2020 e 2024, período investigado pela Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Polícia Militar, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Receita Federal.
A operação desta quarta-feira cumpriu 16 mandados de busca e apreensão, além dos três mandados de prisão temporária contra os militares.
Relembre o caso
- Transwolff e a UpBus estão sob intervenção da gestão municipal de São Paulo desde abril de 2024, quando foram alvo da Operação Fim da Linha por vínculo com o PCC.
- O dono da Transwolff, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e o sócio da UpBus, Silvio Luís Ferreira, o Cebola, tiveram mandatos de prisão cumpridos em seus nomes durante a operação.
- Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, a Transwolff recebeu um aporte de R$ 54 milhões da facção criminosa, obtido com tráfico de drogas e outros delitos, para participar da licitação do transporte público na capital paulista.
- A Transwolff e a Upbus operam, respectivamente, as linhas de ônibus da zona sul e leste da cidade de São Paulo — e transportam, juntas, 700 mil passageiros na capital.
O que diz a empresa
Em nota, a empresa Transwolff afirmou não haver “qualquer fundamento nas alegações de suposta relação da empresa ou de seus representantes com atividades ilícitas ou com os policiais militares citados na reportagem”.
Acrescenta que “repudia veementemente qualquer tentativa de associação com organizações criminosas. A Transwolff segue se defendendo nas instâncias competentes e colaborando com as autoridades”.
