Tarcísio vê Haddad “prejudicado” por PT e ensaia pauta antitaxa
Tarcísio de Freitas já avaliou a interlocutores que Haddad teve boas intenções na condução da economia, mas que foi atrapalhado pelo PT
atualizado
Compartilhar notícia

Confirmado como o candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad já recebeu avaliações positivas sobre sua atuação no Ministério da Fazenda do seu principal adversário na disputa, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A interlocutores, o governador paulista afirma que Haddad teve boas intenções na condução da pasta e que “tentou fazer o certo”, mas teria sido prejudicado por alas do PT que pressionam a favor de uma política de perfil desenvolvimentista e mais “gastador”.
Nos bastidores, Tarcísio também avalia que o ministro da Fazenda é um dos melhores quadros no entorno de Lula e que teria eleição relativamente tranquila para o Senado, mas que será novamente “sacrificado” pelo PT para fortalecer o palanque lulista no maior colégio eleitoral do país, mesmo que isso custe mais uma derrota eleitoral na biografia de Haddad.
O ministro da Fazenda já perdeu eleições em três oportunidades: em 2016, quando não conseguiu ser reeleito à Prefeitura de São Paulo ao ser derrotado por João Doria (PSDB); em 2018, quando perdeu a eleição presidencial no segundo turno para Jair Bolsonaro (PL); e em 2022, ao ser batido por Tarcísio no segundo turno da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
Alvo de artilharia
Ao longo do atual mandato, bolsonaristas e aliados de Tarcísio centraram as críticas à política econômica do governo federal e, consequentemente, em Haddad, no que classificam como falta de responsabilidade fiscal e na tentativa de controlar as contas públicas por meio do aumento de arrecadação com impostos, em vez de cortar de gastos.
O governador de São Paulo frequentemente afirma em entrevistas que o Brasil terá uma “crise fiscal contratada” caso o PT vença novamente as eleições. Já a pecha de “taxador” sobre o Haddad ganhou aderência a partir de 2024, quando a direita passou a proliferar uma série de memes e piadas vinculando o ministro a aumento de impostos.
À época, ficou famosa a alcunha de “Taxad“, no momento em que o governo federal buscava aprovar no Congresso medidas como a taxação de compras em sites estrangeiros, como a Shopee, que ficou conhecida como a “taxa da blusinhas”. O movimento também ganhou força durante a votação da reforma tributária, que previa aumento em certas alíquotas sobre produtos ou serviços.
Mais recentemente, Haddad também virou alvo da artilharia da oposição após a divulgação de uma norma interna que prevê o aumento em impostos de importação sobre eletrônicos. Um vídeo feito pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o assunto acabou viralizando e aumentando o desgaste do governo.
Na última quarta-feira (11/3), Tarcísio indicou que o tema será explorado por ele na campanha ao rebater uma declaração de Haddad, que em entrevista à EBC disse que o governador paulista é blindado de críticas.
“Ninguém é blindado de crítica de lugar nenhum. Tem bom trabalho, tem trabalho que é ruim. O que eu posso fazer se ele aumentou imposto a cada 30 dias? Não é culpa minha, é culpa dele”, disse o governador, durante agenda na região central de São Paulo.
