Socorrista disse que PM Gisele foi resgatada com pulso após levar tiro. Veja vídeo
A câmera corporal de um dos PMs da ocorrência mostrou o momento em que um socorrista diz que a PM Gisele foi atendida com pulso
atualizado
Compartilhar notícia

A câmera corporal de um dos policiais militares envolvidos na ocorrência que atendeu a soldado Gisele Santana mostra o momento em que um socorrista diz que a mulher ainda estava com pulso, registrando batimentos cardíacos, ao ser atendida após levar um tiro na cabeça. Ela morreu pouco depois, na tarde do último dia 18 de fevereiro, no centro de São Paulo.
Nas imagens, é possível ver o socorrista contando a um dos policiais que Gisele Santana apresentava um quadro provável de morte encefálica, mas que ainda estava com pulso. Logo na sequência, ele diz que o helicóptero Águia da PM já havia pousado e que iria embarcar a soldado.
Apesar de ainda estar viva no momento do resgate, a PM Gisele Santana teve o óbito constatado oficialmente às 12h21 do dia 18 de fevereiro. Uma moradora do mesmo andar em que o casal morava no prédio afirmou ter sido acordada por um forte estrondo às 7h28, mas o primeiro telefonema em que o marido de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, solicita socorro ocorreu às 7h57. O resgate começou por volta das 8h10.
Durante o atendimento médico, ao ser informado por uma policial que a esposa apresentava sinais de vida, o tenente-coronel reagiu dizendo que, “com o tiro que ela levou, não sobreviveria”, conforme relatou a inspetora do condomínio, Fabiana Pereira, em depoimento à Polícia Civil.
Ele foi preso preventivamente um mês após a morte da esposa.
Morte de PM levou à prisão de tenente-coronel
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido, no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme registra o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da policial militar.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto no dia 18 de março.
- Ele foi preso no mesmo dia em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
- No dia seguinte, 19 de março, o Tribunal de Justiça (TJSP) confirmou a prisão preventiva.
Uso da posição hierárquica
A decisão da Justiça Militar que prendeu Geraldo Neto aponta que o tenente-coronel teria usado sua posição hierárquica — superior à dos policiais presentes no local do crime, além do fato de ser o oficial mais antigo — para ignorar a recomendação de não tomar banho durante a ocorrência. Segundo a decisão do TJM que determinou a prisão do coronel, ele atuou para “impor sua vontade e efetivamente tomar banho novamente, mesmo diante da resistência manifestada pelos policiais responsáveis pela ocorrência”.
O exposto na decisão judicial desmente a versão apresentada pelo coronel anteriormente, quando ele alegou que não havia recebido orientação quanto ao segundo banho.
Ele não se valeu de sua posição hierárquica na corporação apenas no dia do crime, mas também como instrumento de dominação e violência contra a esposa Gisele Alves Santana no dia a dia do relacionamento.
Testemunhas ouvidas pela investigação contaram que o oficial ia frequentemente ao local de trabalho da vítima e usava de sua autoridade para entrar e permanecer por longos períodos observando as atividades dela, causando até constrangimento à equipe. Além disso, o tenente-coronel teria proibido a mulher de trabalhar com colegas homens e menosprezava a posição da esposa, dizendo que ela deveria “arrumar um soldado” [em vez de ter se casado com um coronel].
Ele já havia sido condenado por abuso de autoridade contra uma subordinada por um episódio de 2022, quando ainda era major e comandante do 29º Batalhão da Polícia Militar (29º BPM/M).



















