Produtora de Dark Horse se nega a passar senha de celular à polícia
Karina Gama foi alvo de operação por suspeita de desviar dinheiro de contrato milionário com a Prefeitura de SP para filme sobre Bolsonaro
atualizado
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Investigada por suspeita de desviar de dinheiro público para financiar o filme Dark Horse, a produtora Karina Ferreira da Gama se negou a informar a senha de seu celular quando foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo em 1º de junho. O aparelho, um Iphone 17, foi apreendido pelos agentes da 2ª delegacia do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) em cumprimento a um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça da capital.
A decisão que autorizou a cautelar também determinou a quebra de sigilo de Karina e de outros alvos.
De acordo com as investigações, a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), que tem a produtora como representante, pode ter utilizado recursos de um contrato de R$ 108 milhões com a Secretaria de Inovação e Tecnologia da Prefeitura de São Paulo para custear o filme que retrata a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O contrato é referente à instalação de pontos de internet na periferia da capital. Segundo o inquérito, há uma série de inconsistências nas notas fiscais apresentadas pela ONG.
No relatório sobre o cumprimento dos mandados, os policiais informam que, ao chegarem em um dos endereços Karina, foram recebidos pela própria investigada, que autorizou a entrada da equipe. A mulher acionou seu advogado, Márcio Sayeg, que compareceu ao local alguns minutos depois. Ele teria sido o responsável por orientá-la a não fornecer a senha do celular.
Além do aparelho, foi apreendida uma pasta de documentos da ONG ICB, que estava na cozinha da residência, e também foram realizadas buscas no carro de Karina, um Toyota Hilux.
Em um segundo endereço ligado à produtora, no Jardim Maracanã, na zona norte da capital, a polícia encontrou um homem de 53 anos, que também teve o celular apreendido. A relação dele com Karina não foi esclarecida.
No endereço onde o Instituto Conhecer Brasil (ICB) está registrado, em um conjunto na Avenida Paulista, a polícia não encontrou a empresa. Uma funcionária do coworking informou que o cadastro da ONG havia sido cancelado.
Contrato sob suspeita
O contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB previa inicialmente a instalação de 5 mil pontos de Wi-fi em diferentes bairros da periferia da capital. Para cumprir o estabelecido, a ONG subcontratou uma série de empresas especializadas no serviço, como a Ultra Ip e Favela Conectada, que também foram alvos. Entre os pontos questionados, estão:
- Falta de capacidade técnica: a polícia apontou que o chamamento público teve a participação exclusiva do ICB, entidade considerada sem experiência no setor de telecomunicações, com atuações somente em feiras de livros e eventos religiosos.
- Superfaturamento: enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB estipulou o pagamento de R$ 1.800 fixos por ponto, um valor injustificadamente superior aos parâmetros de mercado.
- Descumprimento de metas e fraude em aditivos: a entidade instalou apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos. Para ocultar a demora, foram celebrados três termos aditivos em intervalos de poucos dias.
- Pagamentos indevidos e antecipados: a administração municipal teria realizado a antecipação de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação. Foram identificados repasses relativos a 3.200 pontos, quando, na realidade, apenas seis funcionavam no período.


















