Prefeitura não vai desistir da “Times Square” paulistana, diz Nunes
Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) afirmou que vai recorrer da decisão da Justiça que suspende Boulevard São João, no centro
atualizado
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta quinta-feira (28/5) que a Prefeitura vai recorrer da decisão da Justiça de São Paulo que suspendeu o Boulevard São João, no centro de São Paulo. Nessa quarta-feira (27/5), o projeto que prometia transformar o cruzamento das avenidas São João e Ipiranga em uma espécie de “Times Square” paulistana foi suspenso pela Justiça.
“Nós ainda não fomos notificados. A gente lamenta bastante, são muitos caminhando para frente e alguns querendo puxar para trás”, afirmou Nunes. “Tenho certeza que a gente vai reverter, é uma pena, só a perda de tempo e o prejuízo que [a Justiça] está causando às pessoas envolvidas nesse processo. São milhões [de reais] de investimentos para a gente poder fazer o nosso Boulevard São João e recuperar o nosso centro, mas a gente não vai desistir, a gente vai vencer”, disse Nunes.
A liminar foi assinada pela juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública, que citou na decisão a “magnitude do projeto”, o impacto urbano na região central e o possível dano à população antes de autorizar o avanço da proposta. A magistrada determinou a suspensão imediata dos efeitos da aprovação do projeto e proibiu o início de qualquer obra, instalação ou intervenção ligada aos painéis de LED.
A decisão também determina que a Prefeitura de São Paulo e os responsáveis pelo projeto apresentem uma série de documentos à Justiça, incluindo a íntegra do termo de cooperação do projeto, atas de reuniões técnicas, pareceres urbanísticos, documentos ligados ao patrimônio histórico e registros da consulta pública feita com a população.
O projeto previa a instalação de telões luminosos em prédios históricos da região, inspirados na famosa área turística de Times Square, em Nova York. Entre os edifícios que receberiam os painéis estavam o Cine Paris República, o Edifício Herculano de Almeida, a Galeria Sampa e o Edifício New York. Com a decisão judicial, o projeto fica paralisado até nova análise da Justiça.
Times Square Paulistana
- Batizado oficialmente de Boulevard São João, o projeto prevê a instalação de grandes painéis de LED e projeções digitais no cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, no centro de São Paulo.
- A proposta foi inspirada na Times Square, um dos pontos turísticos mais conhecidos de Nova York.
- O projeto foi aprovado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) e integra um plano de revitalização da região central da capital paulista.
- A ideia era transformar o local em um espaço voltado para experiências visuais, tecnologia, cultura e intervenções artísticas digitais.
- Diferente do modelo norte-americano, a versão paulistana não previa a exibição de publicidade comercial nos telões.
Infrações na Lei Cidade Limpa
A região da Sé, no centro de São Paulo, onde estava prevista a instalação dos painéis de LED inspirados na Times Square, aparece entre as áreas mais multadas da capital por infrações ligadas à Lei Cidade Limpa. Dados obtidos pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação mostram que a subprefeitura responsável pela região aplicou mais de R$ 1,3 milhão em multas nos últimos 12 meses, o terceiro maior valor entre as 32 subprefeituras da cidade.
Segundo os dados da prefeitura, a Subprefeitura da Sé registrou 72 autuações relacionadas à Lei Cidade Limpa no período. Desse total, 41 terminaram em multa e 31 resultaram apenas em notificações orientativas. A região também apresentou um índice de punição acima da média da capital: enquanto cerca de 42% das autuações da cidade viram multa, na Sé esse percentual chegou a 56,9%.
As ações mais frequentes na região envolvem anúncios indicativos sem licença, publicidade irregular e instalação de banners em vias públicas. Já o maior impacto financeiro veio de 4 autuações relacionadas a anúncios em empenas cegas — laterais de prédios sem janelas — que, sozinhas, somaram cerca de R$ 671 mil em multas.
Os dados também mostram uma mudança no ritmo da fiscalização ao longo do último ano. Entre fevereiro e junho de 2025, os valores aplicados foram mais baixos. A partir de julho, houve aumento nas autuações, com pico em setembro, quando a Subprefeitura da Sé aplicou cerca de R$ 668 mil em multas em um único mês.
O que é a Lei Cidade Limpa?
Criada em 2006, durante a gestão do então prefeito Gilberto Kassab, a Lei Cidade Limpa foi implantada com o objetivo de reduzir a poluição visual em São Paulo. A legislação passou a limitar outdoors, faixas, letreiros e anúncios publicitários espalhados pela cidade, além de estabelecer regras para o tamanho e a instalação de placas comerciais em fachadas de imóveis. Veja antes e depois da Lei Cidade Limpa:
A proposta da lei era reorganizar a paisagem urbana da capital paulista, diminuindo o excesso de publicidade nas ruas e tornando mais visíveis elementos da arquitetura, sinalizações e espaços públicos da cidade. Desde então, a fiscalização das regras ficou sob responsabilidade das subprefeituras, que podem aplicar notificações e multas em casos de irregularidades.


























