PM Gisele: 42 pessoas serão ouvidas em 5 dias de audiências de coronel
Audiências encerram fase de instrução e definem se tenente-coronel Geraldo Neto será submetido ao Tribunal do Júri pela morte da esposa
atualizado
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O julgamento que decidirá se o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, será ou não submetido ao Tribunal do Júri vai ser dividido em cinco dias e terá o depoimento de 42 testemunhas. Ele é acusado de matar a esposa, a policial militar (PM) Gisele Alves Santana, com um tiro na cabeça.
As audiências que encerram a fase de instrução estão marcadas para começar em 29 de junho, e encerram somente em 3 de julho, com o interrogatório do réu.
Dentre as testemunhas, estão policiais civis e militares, familiares e amigos da vítima, agentes que atenderam a ocorrência, vizinhos e funcionários do prédio onde o casal morava. Geraldo deve ouvir todos os depoimentos.
Relembre o caso
- A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido no Brás, região central de São Paulo.
- Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
- Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
- Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada.
- Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da esposa.
- A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel.
- O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
- A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto em 17 de março.
- Ele foi preso no dia seguinte em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
Veja o calendário de oitivas
29 de junho (7 pessoas)
- Lucas de Souza Lopes (delegado que investigou o caso)
- Tadeu Gomes Correa (perito criminal e médico legista que investigou o corpo da vítima)
- Amanda Rodrigues Marinone (perita criminal que investigou a cena do crime)
- Damiana Alves da Silva (sargento da PM, psicóloga e confidente de Gisele)
- Guilherme Adriano Lucas (1º tenente da PM que atendeu a ocorrência)
- Adalberto Fernandes Lima (PM)
- Julle Anne Gonçalves Matos Bozio (vizinha do casal)
30 de junho (12 pessoas)
- Cícero Gecycleiton dos Santos e Silva (PM que atendeu a ocorrência e apresentou caso à Polícia Civil)
- Rosângela Araújo da Silva (Corregedoria da PM que apurou conduta dos militares envolvidos)
- Rafael Gustavo de Aguiar (capitão da PM que atendeu a ocorrência)
- Guilherme Adriano Lucas (1º tenente que atendeu a ocorrência)
- Rafael Rodrigues dos Santos (Sargento da PM e chefe imediato da vítima)
- Suziene de Fátima Batista do Amaral de Melo (cabo da PM e amiga da vítima)
- Sara Barbosa Zerbinatti (soldado da PM e amiga da vítima)
- Cristina Amélia da Silva (cabo da PM e amiga da vítima)
- Sheila Aparecida Magrini Cruz (subtenente da PM e amiga da vítima)
- Rômulo Henrique de Andrade Oliveira (soldado do Corpo de Bombeiros que atendeu a ocorrência)
- Rodrigo Almeida Rodrigues (sargento do Corpo de Bombeiros que atendeu a ocorrência)
- Testemunha protegida X
1 de julho (9 pessoas)
- Marinalva Vieira Alves de Santana (mãe da vítima)
- Filha da vítima (ouvida em depoimento especial)
- José Simonal Teles de Santana (pai da vítima)
- Pedro Gabriel Alves De Santana (irmão da vítima)
- José Gean Da Silva Costa (ex-marido da vítima)
- Eduardo André Forti Alves (cabo do Corpo de Bombeiros que atendeu a ocorrência)
- Erica Alonso Coe (testemunha ouvida de forma virtual)
- Maria Luiza Coe Rosa (testemunha ouvida de forma virtual)
- Artur Flávio Dias (testemunha ouvida de forma virtual)
2 de julho (13 pessoas)
- Rodrigo Nascimento (cabo da PM e ex-motorista do investigado)
- Leonardo Ferreira Martins de Souza (soldado da PM que trabalhava com o réu)
- Allan Marques Bueno (coronel da PM e comandante do réu à época)
- Marcio Henrique Camargo (cabo da PM que trabalhava com o réu)
- Cleuma Nunes de Araujo Alecrim (cabo da PM que trabalhava com o réu)
- Eliane Ferreira dos Santos (soldado da PM que trabalhava com o réu)
- Josecélia Leopoldina de Souza (cabo da PM que trabalhava com o réu)
- Ana Claudia Trevisan Ferraz Bartholomeu (cabo da PM que trabalhava com o réu)
- Jhosini Evelyn Pereira Munita (soldado da PM que trabalhava com o réu)
- Bárbara Alves Celestino (tenente da PM que trabalhava com o réu)
- Fabiana Gustis (inspetora do condomínio onde morava o casal)
- Benedita Aparecida Nunes (testemunha de defesa ouvida de forma virtual)
- Vinicius Sobreiro Peixoto (testemunha de defesa ouvida de forma virtual)
3 de julho (1 pessoa)
- Geraldo Leite Rosa Neto (tenente-coronel da PM e réu)
Desembargador não está entre testemunhas arroladas
O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, amigo pessoal do tenente-coronel e para quem Geraldo ligou após o disparo, não foi arrolado como testemunha para a audiência de instrução. Os autos mostram que tanto a acusação quanto a defesa entenderam que sua participação, embora relevante no dia dos fatos, não era necessária ou pertinente para a prova do crime em si.
O magistrado foi até o apartamento na manhã em que Gisele foi encontrada morta e orientou o tenente-coronel. Antes disso, o militar ligou diversas vezes para o desembargador.
Cogan relatou à Polícia Civil que, naquela manhã, havia acabado de sair de uma aula de ginástica, quando recebeu uma ligação do coronel, que falava de forma acelerada e nervosa. Registros da Polícia Científica, obtidos pelo Metrópoles, mostram que esse contato não foi imediato nem único.
Antes de conseguir falar pela primeira vez com o desembargador, às 8h04, o tenente-coronel tentou contato ao menos três vezes, entre 8h02 e 8h03, sem sucesso. Há ainda registros de novas oito tentativas até que, por volta das 8h41, o magistrado atende novamente à chamada do oficial.
Além do desembargador, Geraldo Neto já havia feito outras ligações, tentando acionar o 190, não aguardando atendimento em um primeiro momento. Também falou com um superior e, só depois, voltou a buscar contato externo, incluindo o magistrado.
















