Pirata e Pescador: traficantes usavam apelidos para discutir logística

Operação da Polícia Federal cumpre 10 mandados de prisão preventiva e 3 de busca e apreensão. Cinco dos alvos já estavam presos

atualizado

metropoles.com

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HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
A Polícia Federal realiza operação de busca e apreensão na residência do senador Ciro Nogueira
1 de 1 A Polícia Federal realiza operação de busca e apreensão na residência do senador Ciro Nogueira - Foto: <p> HUGO BARRETO / METRÓPOLES<br /> @hugobarretophoto</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div>

A organização criminosa alvo da Operação Narco Sky dessa terça-feira (2/6) se comunicava por codinomes para discutir a logística do envio de cocaína do Brasil para o exterior, segundo a Polícia Federal (PF). Os traficantes se chamavam de Pirata, Fisherman (pescador), Tigre New (Novo tigre) e de outros apelidos para ocultar as conversas e viabilizar o tráfico internacional por rotas marítimas.

O grupo utilizava um programa de mensagens criptografadas para estruturar a operação. Cada suspeito possuía uma função no esquema e dez deles foram alvos de mandado de prisão preventiva nessa terça. Cinco dos alvos já haviam sido presos na Operação Narco Vela — fase anterior da operação.

Enquanto alguns eram responsáveis pelo transporte da cocaína e pela comunicação criptografada do grupo, outros ficavam a cargo de estabelecer relações entre a organização e o exterior.


Saiba quem são os investigados

  • Antun Mrdeza (vulgo Jhon Gotti ou Nikola Boro): apontado como um mega-narcotraficante internacional, integra o núcleo estrangeiro de financiamento e direção das remessas. Ele é proprietário de ativos logísticos (como o veleiro Mobydick) e de parte das cargas de cocaína, exigindo prestação de contas dos operadores locais, de acordo com a PF.
  • Alejandro Salgado Vega (vulgo Tigre): narcotraficante espanhol de alta relevância, responsável pela coordenação de grandes remessas para a Europa. Atua como financiador e coproprietário das drogas, monitorando riscos de fiscalização e coordenando o resgate das cargas em território estrangeiro, de acordo com a PF.
  • Marco Aurélio de Souza (vulgo Lelinho ou Pirata): é o líder e coordenador central no Brasil. Atua como elo entre os fornecedores estrangeiros e a estrutura local, gerenciando a guarda, movimentação e a inserção da droga em navios e outras embarcações nos portos brasileiros.
  • Pedro Alonso Camacho Fernandez (vulgo Vince): atua como coordenador logístico transnacional e ponto focal no Brasil. Intermedeia a comunicação entre financiadores e executores, organiza o içamento da droga para os navios e planeja detalhadamente as operações de resgate da carga no mar europeu.
  • Antônio Greg Ribeiro Pinheiro (vulgo Fisherman): operador logístico portuário especializado em atividades marítimas. Sua função principal é a fase crítica de inserção física da droga nas embarcações, cooptando tripulantes e coordenando o carregamento clandestino.
  • Klaus de Castro Rios Motta e Silva: ocupa uma posição técnica qualificada, sendo responsável pela preparação e manutenção de embarcações (especialmente veleiros) utilizadas no tráfico transoceânico, assegurando a viabilidade técnica das travessias.
  • Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra (vulgo Sapão ou Sapo): atua no suporte operacional, cuidando da movimentação e custódia da droga em solo nacional e alertando o grupo sobre fiscalizações policiais.
  • Walter Pires Junior (vulgo Waltinho): integrante da base operacional vinculado a Lelinho, executa tarefas de armazenamento, transporte interno e preparação do entorpecente para embarque.
  • Ivan de Freitas Santos (vulgo Ivan): agente de execução que presta apoio logístico na preparação e transporte das cargas ilícitas destinadas à exportação.
  • Rafael Gonçalves Sayão (vulgo Cabelinho): participante ativo no fluxo de comunicações criptografadas do grupo, exercendo funções de apoio operacional e transmissão de informações estratégicas.

Na ferramenta de chat, os criminosos trocavam mensagens sobre a operação, combinavam a organização das cargas de droga e mudavam de aparelhos frequentemente para evitar qualquer rastreamento. Após combinarem o envio, eles usavam aeronaves para o transporte interno da droga até o litoral, onde a carga era transferida para o modal marítimo.

Na prática, a droga era levada até navios mercantes ou veleiros e içada para bordo com a ajuda de cordas. O grupo pagava tripulantes e marinheiros para executarem a técnica de içamento e esconder a cocaína em contêineres refrigerados para efetuar o transporte.

Os tabletes de cocaína eram ocultos em compartimentos específicos, como o motor de sistemas de refrigeração, onde a droga podia chegar escondida e útil na hora do desembarque. A organização também utilizava bolsas estanques, boias de sustentação, dispositivos de GPS e lanternas para sinalização noturna em alto-mar para monitorar a localização das cargas.


Entenda o modus operandi

  • Para discutir as tratativas do esquema, os traficantes utilizavam a plataforma SKY ECC para ocultar as conversas criminosas. Eles se disfarçavam com múltiplos codinomes e trocavam mensagens combinando a organização das cargas de droga.
  • O grupo trocava de aparelhos frequentemente para evitar o rastreamento, conforme a investigação.
  • Após combinarem o envio, o grupo usava aeronaves para o transporte interno da cocaína até o litoral, onde a carga era transferida para o modal marítimo.
  • Os investigados pagavam tripulantes e marinheiros para executarem uma técnica de içamento e embarcarem a cocaína escondida em contêineres refrigerados.
  • Os tabletes de cocaína eram ocultos em compartimentos específicos, onde a droga podia chegar escondida e útil na hora do desembarque. Com esse mesmo fim, a organização também utilizava bolsas estanques, boias de sustentação, dispositivos de GPS e lanternas para monitorar a localização das cargas.

A estrutura criminosa, porém, não terminava no envio. O grupo também coordenava, via grupos de chat, o resgate da droga em portos europeus, como em Ancona/Itália e Antuérpia/Bélgica, por exemplo, por equipes de campo locais.

Operação Narco Sky

A Operação Narco Sky é um desdobramento da Operação Narco Vela, considerada uma das principais investigações recentes da PF contra o tráfico internacional de drogas por rotas marítimas. São cumpridos dez mandados de prisão preventiva — cinco desses suspeitos já foram presos na operação anterior — nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará.

Segundo a Polícia Federal, as investigações identificaram uma estrutura criminosa complexa voltada ao envio de entorpecentes para o exterior utilizando embarcações e rotas marítimas internacionais.

As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Federal de Santos (SP).

Frota de Lelinho

A operação Narco Vela, deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2025, apontou o empresário Marco Aurélio de Souza, o Lelinho, como um dos principais articuladores da exportação de cocaína do Primeiro Comando da Capital (PCC) à Europa por meio de veleiros e pequenas lanchas.

Segundo a PF, ele seria o responsável pelo envio de 2 toneladas da droga à Espanha, em julho de 2022, além de uma série de outras operações. O crime foi descoberto pela Guarda Civil Espanhola na cidade de Aldea de San Nicolás.

A partir da quebra de sigilos telemáticos, foi possível identificar um número usado na contratação da embarcação de uma empresa, a Jacksupply Assessoria de Bordo e Comércio Exterior, que, segundo as investigações, seria controlada por Lelinho por meio de um testa de ferro e teria como base operacional a Baixada Santista.

“Indícios robustos sugerem que o investigado, embora formalmente vinculado ao setor marítimo, utiliza-se dessa posição empresarial como meio de viabilizar e dissimular atividades ilícitas”, diz a Polícia Federal.

Lelinho teria montado uma frota de pequenas embarcações para operacionalizar o envio dos entorpecentes. De acordo com a Polícia Federal, o esquema de envio de cocaína ao exterior tinha início em pequenas lanchas, que transportavam a droga até veleiros em alto-mar, que faziam a travessia pelo Oceano Atlântico.

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