Codinomes e mensagens secretas: como agia grupo alvo de operação da PF
Operação da Polícia Federal (PF) cumpre 10 mandados de prisão preventiva e 3 de busca e apreensão. Cinco dos alvos já estavam presos
atualizado
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A organização criminosa alvo da Operação Narco Sky pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (2/6) utilizava um programa de mensagens criptografadas e se comunicava por codinomes para estruturar o envio de cocaína do Brasil para o exterior.
Segundo a investigação, o grupo usava a plataforma SKY ECC para ocultar as conversas sobre o tráfico internacional. Eles trocavam mensagens sobre a operação, combinavam a organização das cargas de droga e mudavam de aparelhos frequentemente para evitar qualquer rastreamento.
Após combinarem o envio, os investigados usavam aeronaves para o transporte interno da droga até o litoral, onde a carga era transferida para o modal marítimo. O grupo pagava tripulantes e marinheiros para executarem uma técnica de içamento e esconder a cocaína em contêineres refrigerados para efetuar o transporte.
Na prática, a droga era levada até navios mercantes ou veleiros e içada para bordo com a ajuda de cordas. Os tabletes de cocaína eram ocultos em compartimentos específicos, como o motor de sistemas de refrigeração, onde a droga podia chegar escondida e útil na hora do desembarque.
A organização também utilizava bolsas estanques, boias de sustentação, dispositivos de GPS e lanternas para sinalização noturna em alto-mar para monitorar a localização das cargas.
Entenda o modus-operandi
- Para discutir as tratativas do esquema, os traficantes utilizavam a plataforma SKY ECC para ocultar as conversas criminosas. Eles se disfarçavam com múltiplos codinomes e trocavam mensagens combinando a organização das cargas de droga.
- O grupo trocava de aparelhos frequentemente para evitar o rastreamento, conforme a investigação.
- Após combinarem o envio, o grupo usava aeronaves para o transporte interno da cocaína até o litoral, onde a carga era transferida para o modal marítimo.
- Os investigados pagavam tripulantes e marinheiros para executarem uma técnica de içamento e embarcarem a cocaína escondida em contêineres refrigerados.
- Os tabletes de cocaína eram ocultos em compartimentos específicos, onde a droga podia chegar escondida e útil na hora do desembarque. Com esse mesmo fim, a organização também utilizava bolsas estanques, boias de sustentação, dispositivos de GPS e lanternas para monitorar a localização das cargas.
A organização, porém, não terminava no envio. O grupo também coordenava, via grupos de chat, o resgate da droga em portos europeus, em Ancona/Itália e Antuérpia/Bélgica, por exemplo, por equipes de campo locais.
Operação Narco Sky
A Operação Narco Sky é um desdobramento da Operação Narco Vela, considerada uma das principais investigações recentes da PF contra o tráfico internacional de drogas por rotas marítimas. São cumpridos dez mandados de prisão preventiva — cinco desses suspeitos já foram presos na operação anterior — nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará.
Segundo a Polícia Federal, as investigações identificaram uma estrutura criminosa complexa voltada ao envio de entorpecentes para o exterior utilizando embarcações e rotas marítimas internacionais.
As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Federal de Santos (SP).
Saiba quem são os alvos
- Antun Mrdeza (vulgo “Jhon Gotti” ou “Nikola Boro”): Apontado como um meganarcotraficante internacional, integra o núcleo estrangeiro de financiamento e direção das remessas. Ele é proprietário de ativos logísticos (como o veleiro Mobydick) e de parte das cargas de cocaína, exigindo prestação de contas dos operadores locais, de acordo com a PF.
- Alejandro Salgado Vega (vulgo “Tigre”): Narcotraficante espanhol de alta relevância, responsável pela coordenação de grandes remessas para a Europa. Atua como financiador e coproprietário das drogas, monitorando riscos de fiscalização e coordenando o resgate das cargas em território estrangeiro, de acordo com a PF.
- Marco Aurélio de Souza (vulgo “Lelinho” ou “Pirata”): É o líder e coordenador central no Brasil. Atua como elo entre os fornecedores estrangeiros e a estrutura local, gerenciando a guarda, movimentação e a inserção da droga em navios e outras embarcações nos portos brasileiros.
- Pedro Alonso Camacho Fernandez (vulgo “Vince”): Atua como coordenador logístico transnacional e ponto focal no Brasil. Intermedeia a comunicação entre financiadores e executores, organiza o içamento da droga para os navios e planeja detalhadamente as operações de resgate da carga no mar europeu.
- Antônio Greg Ribeiro Pinheiro (vulgo “Fisherman”): Operador logístico portuário especializado em atividades marítimas. Sua função principal é a fase crítica de inserção física da droga nas embarcações, cooptando tripulantes e coordenando o carregamento clandestino.
- Klaus de Castro Rios Motta e Silva: Ocupa uma posição técnica qualificada, sendo responsável pela preparação e manutenção de embarcações (especialmente veleiros) utilizadas no tráfico transoceânico, garantindo a viabilidade técnica das travessias.
- Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra (vulgo “Sapão” ou “Sapo”): Atua no suporte operacional, cuidando da movimentação e custódia da droga em solo nacional e alertando o grupo sobre fiscalizações policiais.
- Walter Pires Junior (vulgo “Waltinho”): Integrante da base operacional vinculado a Lelinho, executa tarefas de armazenamento, transporte interno e preparação do entorpecente para embarque.
- Ivan de Freitas Santos (vulgo “Ivan”): Agente de execução que presta apoio logístico na preparação e transporte das cargas ilícitas destinadas à exportação.
- Rafael Gonçalves Sayão (vulgo “Cabelinho”): Participante ativo no fluxo de comunicações criptografadas do grupo, exercendo funções de apoio operacional e transmissão de informações estratégicas.
Frota de Lelinho
A operação Narco Vela, deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2025, apontou o empresário Marco Aurélio de Souza, o Lelinho, como um dos principais articuladores da exportação de cocaína do Primeiro Comando da Capital (PCC) à Europa por meio de veleiros e pequenas lanchas.
Segundo a PF, ele seria o responsável pelo envio de 2 toneladas da droga à Espanha, em julho de 2022, além de uma série de outras operações. O crime foi descoberto pela Guarda Civil Espanhola na cidade de Aldea de San Nicolás.
A partir da quebra de sigilos telemáticos, foi possível identificar um número usado na contratação da embarcação seria de uma empresa, a Jacksupply Assessoria de Bordo e Comércio Exterior, que, segundo as investigações, seria controlada por Lelinho por meio de um testa de ferro e teria como base operacional a Baixada Santista.
“Indícios robustos sugerem que o investigado, embora formalmente vinculado ao setor marítimo, utiliza-se dessa posição empresarial como meio de viabilizar e dissimular atividades ilícitas”, diz a Polícia Federal.
Lelinho teria montado uma frota de pequenas embarcações para operacionalizar o envio dos entorpecentes. De acordo com a Polícia Federal, o esquema de envio de cocaína ao exterior tinha início em pequenas lanchas, que transportavam a droga até veleiros em alto-mar, que faziam a travessia pelo Oceano Atlântico.