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São Paulo

PCC: operação que prendeu vereador apreendeu fuzis de Cachorrão

Vereador Senival Pereira de Moura (PT) foi alvo de operação contra esquema do PCC para lavar dinheiro com empresas de ônibus

25/06/2026 14:18
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Divulgação/MPSP
Imagem colorida mostra armas e drogas encontradas durante operação que prendeu vereador. Metrópoles

A operação da Polícia Civil com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra um esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio de empresas de ônibus apreendeu fuzis e drogas em um endereço ligado a Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”.

Além do suspeito, outras quatro pessoas foram alvo da Operação Última Parada, incluindo o vereador Senival Pereira de Moura (PT), preso na manhã desta quinta-feira (25/6).

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Vereador de São Paulo foi preso nesta quinta (25/6)
Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara de SP
Senival Moura (PT)
Senival está no 6º mandato na Câmara de Vereadores de SP
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Senival está no 6º mandato na Câmara de Vereadores de SP

Reprodução
Vereador de São Paulo foi preso nesta quinta (25/6)
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Vereador de São Paulo foi preso nesta quinta (25/6)

Instagram/ Reprodução
Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara de SP
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Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara de SP

Câmara Municipal de São Paulo/Reprodução
Senival Moura (PT)
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Senival Moura (PT)

Reprodução

Cachorrão, segundo a Polícia Civil, tem envolvimento direto com o Primeiro Comando da Capital. Ele é apontado como operador do esquema que utilizava a estrutura da concessionária Transunião para lavar dinheiro oriundo do tráfico de drogas.

A operação desta quinta-feira é fruto de uma investigação iniciada em 2020 após o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor da Transunião em uma padaria em Lajeado, zona oeste da capital paulista. Segundo a investigação, Adauto foi morto a tiros porque integrantes do PCC acreditavam que ele estava desviando valores do esquema em benefício de Senival. A polícia aponta o Cachorrão como responsável pelo assassinato.

O vereador Senival teria sido perdoado porque ressarciu os valores desviados, afirmou o delegado Ronaldo Sayeg, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em entrevista coletiva.

Também na investigação sobre o homicídio, as autoridades encontraram uma carta manuscrita identificada como um “salve” do PCC, com detalhes sobre o desvio de R$ 15 milhões e disputas internas pelo controle da Transunião.

O autor da carta afirma que está sendo feita uma “limpeza” para afastar “pessoas de má-fé” da empresa, mencionando que determinado indivíduo seria “convidado a se retirar” devido a situações “deselegantes” e cobranças da “população da rua”.

Entenda suspeitas contra Senival

Senival Moura é apontado pela investigação como um líder oculto da empresa Transunião. Trocas de mensagens revelaram que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam da anuência do petista, tratado pelos codinomes “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”.

Planilhas internas também mostram que Senival era o beneficiário real de, ao menos, 13 ônibus que estavam em nome de terceiros ou da própria Transunião, e que ele movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, sendo que R$ 2,47 milhões não possuem origem declarada. Além disso, o vereador possui um patrimônio imobiliário de alto padrão, considerado incompatível com sua remuneração oficial.


Quem são os alvos da operação

Pedidos de prisão temporária

  • Jair Ramos de Freitas (“Cachorrão”): apontado como autor do homicídio de Adauto Soares Jorge e articulador da lavagem de dinheiro.
  • Senival Pereira de Moura (vereador): identificado como real beneficiário e líder oculto da Transunião.
  • Leonel Moreira Martins: operador financeiro e elo entre a empresa e o núcleo familiar beneficiário.
  • Lourival de França Monário: atual diretor-presidente formal da Transunião, envolvido em movimentações financeiras incompatíveis.
  • Devanil de Souza Nascimento (“Sapo”): apontado como operador e suporte de Senival Moura; envolvido na morte de Adauto.

Afastamento da Transunião

  • Lourival de França Monário (diretor-presidente)
  • William Remorini Freitas (diretor financeiro)
  • Kelly Cristina Santos Ribeiro (diretora comercial)
  • Edgar Paiva da Rocha (presidente do Conselho de Administração)
  • Leonardo Wendell do Nascimento (conselheiro)
  • Weslei Castro Gomes (conselheiro)

Suspensão de atividade econômica

  • Transunião Transportes S.A: pivô do esquema de lavagem de dinheiro.
  • Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool Ltda: apontada como núcleo de lavagem em benefício do PCC.
  • SPM – Transporte Urbano de Passageiros S/A: vinculada a Senival Pereira de Moura.
  • Universo Bus Comércio e Serviços Ltda: vinculada a Jair Ramos de Freitas e Fábio Fernandes de Souza, supostos integrantes do PCC.
  • LMP Transportes: apontada como empresa de suporte ou fachada.
  • ICM Transportes: apontada como empresa de suporte ou fachada.
  • FRF Transportes: apontada como empresa de suporte ou fachada.

Segundo o documento da polícia, Senival seria o principal responsável por instrumentalizar Transunião para a lavagem de dinheiro em favor de indivíduos ligados ao PCC. A autoridade policial também ressalta que Senival exerce atualmente os cargos de 1º secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara Municipal de São Paulo, o que lhe confere poder de fiscalização e regulamentação sobre o próprio setor em que a Transunião opera.

Metrópoles procurou o vereador Senival Moura, mas não obteve resposta. A reportagem tenta contato com os outros citados.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e da SPTrans, informou que a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente às linhas sob sua responsabilidade.

“A Administração Municipal aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias a partir de agora.”

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