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São Paulo

PCC: Justiça aceita denúncia contra advogado suspeito de ameaçar juiz

O advogado pressionou o juiz a revogar a prisão preventiva de uma ré suspeita de ligação com o PCC durante uma audiência de instrução

29/09/2026 11:54
Reprodução
Imagem colorida de advogado acusado de ameaçar juiz para revogar prisão de ré suspeita de ligação com o PCC - Metrópoles

A Justiça recebeu uma denúncia contra o advogado Marcos Roberto Cebola e Silva, acusado de ameaçar um juiz durante uma audiência com réus suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

O episódio ocorreu em outubro de 2025. Cebola atuava na defesa de uma das rés da Operação Scream Fake, que foi presa após tentar entrar em uma penitenciária com quatro cartões de memória escondidos na barra da calça. Segundo a denúncia, os dispositivos continham a contabilidade e o organograma de setores estratégicos do PCC.

Durante uma audiência de instrução e julgamento, o advogado pressionou o juiz Deyvison Heberth dos Reis pela revogação das prisões preventivas. Em determinado momento, ele afirmou: “Se o senhor não revogar essas prisões, eu temo o senhor não adentrar ao Elísio”.

O magistrado então interrompeu o advogado, perguntando o que significava “Elísio”. Cebola explicou que se referia ao paraíso, argumentando que a postura do juiz diante das provas do processo deveria ser de reconhecimento de nulidade.

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Deyvison Heberth, porém, rebateu dizendo que em quase 20 anos de carreira nunca havia ouvido algo parecido. “O senhor me dizer que se eu não revogar a preventiva, então eu sou candidato a morrer”, reagiu o juiz.

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O episódio deu origem à instauração de um inquérito policial pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), para apurar possível crime de coação no curso do processo. No dia 22 deste mês, o juiz Gabriel Medeiros, da 1ª Vara da cidade, assinou o recebimento da denúncia contra o advogado, que agora responderá por coação.

Na época, Cebola disse em sua defesa que “todo mundo vai morrer um dia” e que a questão era o destino espiritual — paraíso ou inferno —, reiterando que o processo era “extremamente teratológico” e que estava sendo criado um “juiz de exceção”.

O Metrópoles tentou novo contato com o advogado, porém não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Medidas cautelares

Segundo a decisão, a denúncia e a adoção de medidas cautelares se fazem necessárias para proteger a investigação, prevenir novas infrações e preservar a integridade da vítima. Diante disso, o advogado deve apresentar resposta à acusação em até 10 dias e cumprir as determinações:

  • proibição de manter contato, por qualquer meio, com o Juiz de Direito Deyvison Heberth dos Reis, inclusive pessoalmente, por telefone, mensagens, aplicativos de comunicação, correio eletrônico, redes sociais ou por interposta pessoa, ressalvadas as manifestações estritamente processuais realizadas pelos meios oficiais e o comparecimento aos atos judiciais em que sua atuação profissional seja necessária;
  • proibição de aproximação da vítima, fora das hipóteses de indispensável participação conjunta em atos processuais, devendo o denunciado manter a distância mínima de 200 (duzentos metros);
  • proibição de utilização de redes sociais ou quaisquer outros meios eletrônicos para dirigir-se direta ou indiretamente à vítima, com referência aos fatos objeto destes autos, de maneira intimidatória, ameaçadora ou constrangedora, ressalvados a crítica jurídica legítima, o direito de petição e o exercício regular das prerrogativas profissionais;
  • obrigação de comunicar previamente ao Juízo qualquer alteração de seu endereço, mantendo atualizados seus dados de localização durante a tramitação da ação penal.

O juiz também negou o pedido de fixação de fiança, ao menos neste momento, por considerar suficientes e adequadas as medidas cautelares.