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Alfredo Henrique

Advogado pró-Deolane é ligado a ONG apontada como braço do PCC

Fonte policial aponta Cebola como articulador da entidade; advogado também se reconheceu em foto de reunião analisada no processo

24/08/2026 04:30
Reprodução/Instaram/SAP-SP
Homem branco, sem barba, cabelo curto e branco com paletó se gravata escuros - Metrópoles

O advogado Marcos Roberto Cebola e Silva (imagem em destaque), que ganhou projeção ao defender nas redes sociais Deolane Bezerra, questionando investigações envolvendo a influenciadora, aparece ligado à Pacto Social & Carcerário, ONG apontada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como um braço operacional do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Uma fonte policial que acompanha o caso afirmou à coluna, sob reserva, que Cebola teria sido “um dos articuladores da estruturação da entidade”. A informação não aparece dessa forma nos autos. Documentos e depoimentos, porém, registram outros vínculos do advogado com o ambiente da ONG.

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Registro foi mencionado em audiência que julgava membros do PCC
Advogado criou série em rede social, na qual aponta supostos erros judiciais
Em um dos episódios, ele defende a influenciadora Deolane Bezerra
Advogado pró-Deolane é ligado a ONG apontada como braço do PCC - imagem 5
Advogado posa em foto durante reunião
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Advogado posa em foto durante reunião

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Registro foi mencionado em audiência que julgava membros do PCC
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Registro foi mencionado em audiência que julgava membros do PCC

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Advogado criou série em rede social, na qual aponta supostos erros judiciais
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Advogado criou série em rede social, na qual aponta supostos erros judiciais

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Em um dos episódios, ele defende a influenciadora Deolane Bezerra
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Em um dos episódios, ele defende a influenciadora Deolane Bezerra

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Reprodução/Instaram/SAP-SP

A Pacto Social foi criada em 2019. Segundo denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a organização passou a funcionar como o chamado Setor das Reivindicações do PCC, promovendo ações judiciais e mobilizações relacionadas ao sistema penitenciário.

Arquivos apreendidos com Ketheleen Camila Sousa Lemos continham, segundo o MPSP, uma espécie de prestação de contas das atividades da entidade em favor da facção. O material estava escondido com a mulher, quando ela tentou entrar na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, reduto do PCC no interior paulista.

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Foto com máscaras

Um dos episódios que aproximam Cebola da entidade ocorreu durante uma audiência sobre a própria Pacto Social.

O investigador Helmuth Hans Ramsdorf Junior contou que foi mostrada uma fotografia com várias pessoas usando máscaras (veja galeria acima). Ele disse que, inicialmente, nem reconheceu Cebola na imagem. Segundo o policial, “o próprio advogado apontou qual dos retratados era ele” e questionou se aquela presença o envolvia na investigação.

Helmuth afirmou ainda que Cebola passou a falar sobre uma instituição que representava e mencionou o PCC, embora o investigador tenha dito não ter compreendido exatamente o teor da colocação.

Esse episódio parte justamente do próprio advogado, confirmando sua presença na fotografia usada na discussão sobre a ONG.

Estatuto ampliou atuação

Outro ponto está na documentação cartorial da entidade, obtida pela coluna. Em fevereiro de 2022, a Pacto Social alterou seu estatuto para ampliar expressamente sua capacidade de promover ações judiciais em defesa de presos, inclusive coletivamente e mesmo quando os beneficiários não fossem associados.

O próprio Gaeco sustenta que dois denunciados promoveram essa alteração para viabilizar ações em favor de presos ligados ao PCC e evitar questionamentos sobre a legitimidade processual da ONG.

Cebola aparece ligado à documentação dessa fase da entidade, elemento que, somado à fotografia reconhecida por ele próprio e ao relato da fonte policial, reforça a linha investigativa sobre sua proximidade com a Pacto Social.

Os autos, porém, não o apontam como fundador formal da ONG nem como seu representante jurídico oficial. Essa função é atribuída em documentos do processo ao advogado Renan Bortoletto — preso preventivamente em 14 de janeiro de 2025, condição na qual permaneceu até maio deste ano, quando foi condenado a 6 anos e 9 meses de prisão, em regime semiaberto, e recebeu o direito de recorrer em liberdade.

A sentença do caso reproduz a conclusão das investigações de que a Pacto Social operava como braço do PCC. O processo também registra que materiais apreendidos continham informações dos setores dos Gravatas (advogados), da Saúde (médicos) e das Reivindicações, este último operacionalizado pela ONG.