MPSP diz que Deolane pode fugir e cita alcance internacional do PCC
Grupo que combate o crime organizado afirma que ramificações da facção em outros países poderiam facilitar eventual evasão da influenciadora

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirma que a influenciadora Deolane Bezerra pode fugir caso seja colocada em liberdade e cita o alcance internacional do Primeiro Comando da Capital (PCC) como fator capaz de facilitar uma eventual evasão.
O argumento consta em manifestação assinada nessa quinta-feira (20/8) pelo promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), para defender a manutenção da prisão preventiva de Deolane e dos demais réus do processo.
Segundo Gakiya, uma vez soltos, os acusados “certamente esquivar-se-ão do comparecimento a Juízo”, provocando o que ele chama de “crise de instância” e tentando escapar da aplicação de uma eventual pena.
PCC fora do Brasil
Para sustentar o risco de fuga, o promotor cita o fato de Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho permanecerem foragidos.
Os dois são filhos de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e sobrinhos de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como principal liderança do PCC.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesGakiya destaca que Marcola e Alejandro são lideranças de uma organização criminosa com atuação em todo o Brasil e “ramificações em países vizinhos”, circunstância que, segundo ele, “facilitaria a evasão” dos acusados.
O documento não afirma que integrantes do PCC tenham preparado uma fuga para Deolane. O argumento do MPSP é que a estrutura e a capilaridade da facção ampliariam as possibilidades de evasão caso os réus fossem colocados em liberdade.
“Verdadeiro caixa”
Na mesma manifestação, o Gaeco reafirma a acusação de que Deolane ocupava posição central no esquema investigado.
A influenciadora é apontada como “principal integrante do núcleo financeiro” e “verdadeiro caixa da organização criminosa”. Segundo a acusação, ela teria participado de atos de ocultação e dissimulação de dinheiro de origem ilícita por meio de contas ligadas a ela e a suas empresas, além da conversão dos valores em bens de alto valor.
O Gaeco também voltou a mencionar um suposto plano de reestruturação das empresas de Deolane e de transferência delas para fundos em Dubai, ponto que já havia sido apresentado anteriormente na investigação.
Deolane responde pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A defesa nega as acusações.
Ao final da manifestação, Gakiya pede que a Justiça mantenha a prisão preventiva de todos os réus, argumentando que continuam presentes os riscos à ordem pública e à aplicação da lei penal.



















