Advogado pró-Deolane cita delegado morto pelo PCC e juiz relata ameaça
Magistrado disse à polícia que Marcos Cebola citou Ruy Ferraz Fontes, antes de falar em morte; advogado nega tentativa de intimidação

O advogado Marcos Roberto Cebola e Silva, que ganhou projeção ao defender, nas redes sociais, Deolane Bezerra e apontar supostas falhas nas investigações que levaram à prisão da influenciadora, é investigado por uma fala considerada ameaça de morte por um juiz que presidia audiência de um processo contra integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Documentos obtidos pela coluna revelam, porém, um episódio anterior à declaração que deu origem à investigação. Durante a mesma audiência, Cebola mencionou o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, executado a tiros cerca de um mês antes e conhecido pelo histórico de enfrentamento ao PCC.
A sequência foi relatada à Polícia Civil de São Paulo pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau. Para ele, a referência a Ruy e as declarações feitas depois integraram uma tentativa de intimidação para pressioná-lo a revogar prisões preventivas.
Ruy antes de “Elísio”
O episódio ocorreu em 16 de outubro de 2025, durante audiência de uma ação penal contra pessoas acusadas de integrar setores do PCC. Cebola defendia Ketheleen Camila Sousa Lemos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSegundo Deyvison, durante questionamentos a um delegado, o advogado fez referência a uma declaração atribuída a Ruy Ferraz sobre uma suposta “ética” existente no mundo do crime.
O magistrado afirmou posteriormente aos investigadores que recebeu a menção com “evidente surpresa”, principalmente porque o assassinato do ex-delegado não fazia parte do processo discutido naquela audiência.
Para Deyvison, houve uma “alusão deliberada à trajetória e ao destino de um delegado morto pela facção criminosa investigada [no processo analisado na ocasião]”.
No encerramento da audiência, a discussão passou às prisões. Cebola sustentou que os réus deveriam responder em liberdade. Após ouvir do juiz que analisaria as medidas conforme a lei, afirmou temer que Deyvison não “adentrasse ao Elísio”.
Questionado pelo magistrado se aquilo seria uma ameaça, explicou que Elísio significava paraíso e disse que todos morreriam um dia.
Defesa de Deolane
Meses antes de o caso vir à tona, Cebola havia publicado 17 vídeos nas redes sociais, em uma série chamada “InPrudente”, na qual contestou provas e procedimentos de investigações relacionadas à prisão de Deolane Bezerra.
O advogado também levou questionamentos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Ministério Público, Justiça e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Entre outros pontos, afirmou que o nome de Deolane não aparecia inicialmente em processos analisados por ele e questionou a origem de elementos posteriormente utilizados contra a influenciadora.
Investigação
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) requisitou a abertura de inquérito para apurar, em tese, coação no curso do processo. A Polícia Civil passou a investigar formalmente Cebola e tomou depoimento do magistrado.
Cebola nega ter ameaçado Deyvison. À polícia, sustentou que suas declarações tinham caráter espiritual e que sua atuação durante a audiência fazia parte do exercício da advocacia.
Ketheleen havia dado procuração a Cebola em março de 2025. Um ano depois, a própria presa assinou uma declaração revogando os poderes concedidos ao advogado e constituiu uma nova defensora.

















