PCC: cúpula recomenda usar iPhone para dificultar trabalho da polícia. Vídeo

Mensagens entre integrantes da cúpula do PCC, interceptadas pela Polícia Civil, mostram recomendação para tentar dificultar investigações

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Otavio Augusto/Metrópoles
Foto em preto e branco com mensagem em destaque e rosto de Leandro da Luz Silva, conhecido como Nike, preso em desdobramento à operação feita pela Dise de Itanháem, litoral sul de São Paulo.
1 de 1 Foto em preto e branco com mensagem em destaque e rosto de Leandro da Luz Silva, conhecido como Nike, preso em desdobramento à operação feita pela Dise de Itanháem, litoral sul de São Paulo. - Foto: Otavio Augusto/Metrópoles

Leandro da Luz Silva, de 36 anos, conhecido como Nike, foi preso nessa segunda-feira (6/4) pela Polícia Civil por suspeita de comandar o tráfico de drogas em Mongaguá, litoral sul de São Paulo. Além disso, ele tinha a função de decidir e impor as regras do Primeiro Comando da Capital (PCC) na cidade. Com ele, a polícia descobriu um novo plano do crime organizado para tentar “blindar” de investigações policiais: o uso preferencial de celulares do modelo iPhone.

A escolha por esse modelo de celular, acredita a polícia, está relacionada à arquitetura de sistema fechado (o chamado “Walled Garden”). Além disso, a criptografia robusta e o controle rígido da Apple sobre o hardware e o software dificultariam o eventual rastreamento e acesso a dados de um aparelho pela polícia. Essa camada de segurança protegeria, portanto, a comunicação do grupo criminoso.

Prisão de Penélope

A recente ação contra o PCC é desdobramento da prisão de Ariane de Pontes Rolim, conhecida como Penélope ou Pandora, no início de março. Na ocasião, um celular apreendido revelou à polícia a dinâmica de trabalho dos “disciplinas” em tribunais do crime. Em grupos de conversa, o relato de ocorrências no litoral sul e no Vale do Ribeira segue o modelo de um boletim de ocorrência (B.O.) tradicional — são, segundo a polícia, os BOs do PCC.

Nike foi preso por policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Itanháem. Policiais localizaram o suspeito em casa. Com ele, foram apreendidos dois celulares. A polícia diz que o homem integra a “Disciplina” de Mongaguá — cargo dado a lideranças regionais com atribuições específicas, como conduzir “tribunais do crime” e impor regras, além de ordenar castigos a quem descumprir determinações feitas pelo PCC.

Em mensagens interceptadas pela Polícia Civil em um dos celulares de Nike, foram descobertos diálogos expondo uma “recomendação” feita pela cúpula do crime organizado, especialmente no litoral sul paulista, para tentar barrar antigas e novas investigações da Polícia Civil.

O diálogo, obtido pelo Metrópoles, é de Nike e um indivíduo conhecido como “Primo” — ele ainda não foi identificado. O homem preso utilizava a conta da esposa para tratar sobre questões do crime organizado.

Na conversa, “Primo” diz ter mudado o número de celular a partir de prisões realizadas recentemente em Peruíbe, município vizinho a Itanhaém. Diz, ainda, a necessidade de que a esposa de Nike também faça a mesma troca, para evitar possíveis descobertas futuras. Com Nike assumindo a conversa, ele envia um vídeo — ao qual não é possível afirmar ser com algo ilícito — e logo é alertado.

“Vou nem jogar esse vídeo lá, porque os irmãos (gíria comumente usada para se referir a outros membros do PCC) falou que nós tem que ter o iPhone, né mano”, diz “Primo”. Ele complementa revelando receio de que a polícia possa ter acesso futuro. “Se eu jogar esse vídeo aí, esse cara (referência ao delegado Bruno Lázaro) vai cair babando a tua linha. Se a polícia pegar ela abre e sai rapidinho, rapidinho”.

De acordo com o delegado Bruno Lázaro, responsável pela Dise de Itanháem, as prisões feitas pela especializada contra o crime organizado, no litoral sul paulista, tem “obrigado” a mudanças rápidas e tentativas de planos para barrar a apuração da Polícia Civil. “Temos descoberto planos novos e os frustrado. Novas diligências seguem em andamento para desbaratar a estrutura da organização criminosa. São resultados satisfatórios e positivos”, destaca.

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