Peeling de fenol: juiz muda caso de influencer para homicídio culposo
Justiça reclassificou caso da influencer Natalia Becker, responsável pelo peeling de fenol que matou o empresário Henrique Chagas
atualizado
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A Justiça alterou a classificação do caso da influencer Natalia Becker, responsável pelo procedimento de peeling de fenol que matou o empresário Henrique da Silva Chagas, de homicídio com dolo eventual para culposo. Com a decisão, o processo é remetido a uma vara criminal comum.
O juiz Antonio Carlos Pontes entendeu que Natalia não teve intenção nem assumiu risco de matar o empresário. Para o magistrado, no entanto, a influencer agiu com imperícia, definida como falta de aptidão ou conhecimentos técnicos para o exercício da profissão.
“A ré realizou um sem-número de procedimentos idênticos, em diversos pacientes, e não há relatos de falhas ou erros de sua parte. Essa constatação não a torna automaticamente habilitada para realizar os atos, tão somente pela sua experiência, mas, a partir do momento em que fazia desse ofício seu sustento e sua subsistência, demonstra que matar uma pessoa jamais foi algo representado, cogitado, anuído ou querido direta ou indiretamente”, escreveu.
O promotor de Justiça Felipe Zilbermann recorreu da decisão, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Relembre a cronologia do caso
- Natália, que não é médica, iniciou um curso on-line de aplicação de peeling de fenol em junho de 2023.
- No ano seguinte, Henrique passou pelo procedimento com a esteticista e, imediatamente, começou a apresentar tremores, dores e sinais alarmantes de comprometimento da saúde.
- Menos de quatro horas após a aplicação da substância, o empresário teve uma parada cardiorrespiratória e morreu. Natália, que teria passado mal após o caso, não estava presente quando o Samu e a Polícia Militar (PM) chegaram à clínica para atender à ocorrência.
- Dois dias após a morte de Henrique, a esteticista finalizou 24 das 31 aulas do curso que havia iniciado no ano anterior.
- Em depoimento à polícia, o companheiro da vítima relatou que não foram solicitados exames prévios. Uma auxiliar de estética que trabalhava na clínica confirmou a informação, destacando que a equipe não tinha treinamento de primeiros socorros ou equipamentos disponíveis para intercorrências.
- Quando foi interrogada, no mesmo dia em que avançou no curso on-line de peeling de fenol, Natália confirmou não ter formação médica, preparo ou equipamentos de primeiros socorros. Ela disse, contudo, que a Vigilância Sanitária havia vistoriado a clínica sem apontar irregularidades.
- Nos dias seguintes, mais testemunhas prestaram depoimento, com uma delas revelando o uso de um dermógrafo (microagulhamento) antes da aplicação do fenol para “abrir a pele”, o que teria agravado a reação do corpo do empresário.
- Em julho, os laudos necroscópicos foram concluídos, confirmando a presença de fenol no corpo da vítima. Em agosto, a Polícia Civil finalizou o inquérito, destacando a indiferença de Natália em relação aos riscos e à falta de preparo para emergências.
- Logo em seguida, ela foi indiciada por homicídio doloso – com dolo eventual – e se tornou ré após a Justiça aceitar a denúncia do MPSP. Natália responde ao processo em liberdade.












