BOs do PCC: fornecedor de drogas de Penélope é preso no litoral. Veja vídeo
Luiz Rodrigo Costa Ramos, o “RD”, foi preso quando ia abastecer ponto de drogas de Penélope em Itanhaém. Ele atuava como gerente do tráfico
atualizado
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Após a prisão da Penélope do PCC, apontada como integrante do setor de “disciplina” da facção criminosa, foi a vez do fornecedor de drogas dela, Luiz Rodrigo Costa Ramos, conhecido como “RD”, ser preso na manhã dessa quarta-feira (11/3), no bairro Sabaúna, em Itanhaém, litoral sul de São Paulo.
Penélope foi presa na terça-feira (10/3), também em Itanhaém. Com ela, foram apreendidos um caderno de anotações do tráfico e um celular que revelou à polícia a dinâmica de trabalho dos “disciplinas” em tribunais do crime. Em grupos de conversa, o relato de ocorrências no litoral sul e no Vale do Ribeira segue o modelo de um boletim de ocorrência (B.O.) tradicional — são, segundo a polícia, os BOs do PCC.
Luiz Ramos já era conhecido nos meios policiais e exercia a função de gerente do tráfico na região, de acordo com a Polícia Civil. No momento em que foi preso, o suspeito estava indo abastecer o ponto de tráfico no bairro Guapurá, em Itanhaém, comandando justamente por Penélope. Após a prisão dela, os investigadores cruzaram dados de inteligência e chegaram a “RD”.
Ao tomarem conhecimento de onde estaria o suspeito, os policiais realizaram uma campana, com uma viatura descaracterizada, nas imediações da residência de Luiz Ramos. Em determinado momento, viram o homem deixando o local portando uma mochila com um volume considerável, o que motivou a abordagem.
Na ação, os agentes constataram que dentro da bolsa havia diversas porções de drogas, como maconha, cocaína, crack e K2, todas embaladas para venda. Além disso, foi encontrada também uma anotação referente à contabilidade do tráfico.
Ainda de acordo com o registro policial, Luiz Ramos confessou informalmente que iria abastecer o ponto de venda de drogas de Penélope. Na casa do suspeito, em um dos quartos, os policiais encontraram grande quantidade de entorpecentes já embalados para venda.
Apreensões
- 574 trouxas de maconha, pesando aproximadamente 1,1 kg.
- 597 pedras de crack, pesando cerca de 700g.
- 1.198 eppendorfs de cocaína, pesando 2,1 kg.
- 200 microtubos de maconha tipo K2, pesando 123g.
- Celular da marca Motorola.
- Todos os entorpecentes estavam devidamente embalados em porções destinadas à comercialização.
Luiz Ramos foi preso em flagrante. Ele foi encaminhado à UPA de Itanhaém para exame de corpo de delito e, posteriormente, conduzido à Cadeia Pública de Peruíbe, onde permanece à disposição da Justiça.
Prisão da Penélope do PCC e prints da facção
Penélope foi presa na terça-feira (10/3), no Bairro Guapura, em Itanhaém.
No momento da abordagem, a mulher apresentava um hematoma no olho direito. Em depoimento à polícia, ela contou que a marca foi resultado de uma briga familiar com uma prima na semana passada.
Ela é apontada como liderança do PCC e integrante da disciplina da facção no litoral sul de São Paulo e no Vale do Ribeira. O setor de disciplina é responsável por aplicar punições àqueles que não cumprem as regras da organização criminosa.
Com a mulher foram apreendidos um caderno de anotações referente ao tráfico da região e um celular. O aparelho é peça-chave na investigação, pois mostrou o método de acionamento e prestação de contas do setor de Disciplina do PCC — responsável por aplicar punições àqueles que não cumprem as regras da organização criminosa.
Segundo o delegado Bruno Lazaro, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém, Penélope fazia parte de diversos grupos de conversa no WhatsApp. Os prints foram revelados pelo Metrópoles. Neles, pessoas acionavam o grupo de Disciplina para ocorrências ligadas ao cotidiano da região, como invasão de casas, briga entre vizinhos e fuga da polícia. Posteriormente, os membros do grupo restrito da facção atualizavam as ocorrências em uma espécie de boletim de ocorrência do PCC.
A estrutura dos registros da facção é muito parecida com a do documento produzido pela Polícia Civil. Começa com a data do ocorrido e segue com breve relato do acionamento, explicação sobre o caso, apresentação e alegação das partes envolvidas e desfecho decidido pela Disciplina do PCC.
Em alguns casos, o desfecho era, por exemplo, o “entendimento de ambas as partes” e “orientação”, mas em outros era “cobrança física”. No celular de Penélope, havia ainda fotos de homens baleados. Os registros teriam sido feitos para provar as punições colocadas em prática.
Além disso, as mensagens revelam quais integrantes da facção foram mobilizados para participar do tribunal do crime. Nos prints obtidos pela reportagem, aparece com frequência a palavra “resumo” — o termo se refere a pessoas em cargos de liderança nas ruas.
Nos grupos de conversas, também havia mensagens de atualização da movimentação nas regiões monitoradas pela facção. Em um dos prints, um integrante escreve: “Bom dia a todos, quadrilha. Nosso dia está tranquilo, sem alteração até o momento. Qualquer lance, nos manda [sic] no grupo. TMJ família”.



























