“Bom dia, quadrilha”: BOs do PCC expõem dinâmica de tribunal do crime

Prints revelam que integrantes do PCC produzem uma espécie de boletim de ocorrência para reportar acontecimentos em suas respectivas áreas

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Divulgação Polícia Civil/Arte Metrópoles
Prints de conversa de whatsApp revelam dinâmica dos BOs do tribunal do crime do PCC - Metrópoles
1 de 1 Prints de conversa de whatsApp revelam dinâmica dos BOs do tribunal do crime do PCC - Metrópoles - Foto: Divulgação Polícia Civil/Arte Metrópoles

A prisão de uma integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) no litoral paulista nessa terça-feira (10/3) levou a Polícia Civil a descobrir prints de conversas de WhatsApp que expõem a dinâmica de trabalho dos chamados “disciplinas” da facção em tribunais do crime. O arquivo de mensagens indica o relato de ocorrências no litoral sul e no Vale do Ribeira seguindo o modelo de um boletim de ocorrência (BO) tradicional.

Veja:

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Prints de conversa de whatsApp revelam dinâmica dos BOs do tribunal do crime do PCC
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O celular com os grupos de mensagens foi apreendido com Ariane de Pontes Rolim (imagens abaixo), de 30 anos, conhecida como Penélope ou Pandora, presa no bairro Guapura, em Itanhaém. Segundo o boletim de ocorrência obtido pelo Metrópoles, Penélope atuava organizando o tráfico na região. Ela foi detida pela equipe da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém, chefiada pelo delegado Bruno Lazaro.

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Ariane de Pontes Rolim, de 30 anos, conhecida como Penélope ou Pandora,
Perna tatuada de Ariane de Pontes Rolim, de 30 anos, conhecida como Penélope ou Pandora,
Ariane de Pontes Rolim, de 30 anos, conhecida como Penélope ou Pandora,
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Ariane de Pontes Rolim, de 30 anos, conhecida como Penélope ou Pandora,

Material cedido ao Metrópoles
Ariane de Pontes Rolim, de 30 anos, conhecida como Penélope ou Pandora,
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Ariane de Pontes Rolim, de 30 anos, conhecida como Penélope ou Pandora,

Material cedido ao Metrópoles
Perna tatuada de Ariane de Pontes Rolim, de 30 anos, conhecida como Penélope ou Pandora,
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Perna tatuada de Ariane de Pontes Rolim, de 30 anos, conhecida como Penélope ou Pandora,

Material cedido ao Metrópoles

Com a mulher foram apreendidos um caderno de anotações referente ao tráfico da região, assim como um celular. O aparelho é peça-chave na investigação, pois mostrou o método de acionamento e prestação de contas do setor de Disciplina do PCC — responsável por aplicar punições àqueles que não cumprem as regras da organização criminosa.

Penélope fazia parte de diversos grupos de conversa no WhatsApp. Neles, pessoas acionavam o grupo de Disciplina para ocorrências ligadas ao cotidiano da região, como invasão de casas, briga entre vizinhos e fuga da polícia. Posteriormente, os membros do grupo restrito da facção atualizavam as ocorrências em uma espécie de boletim de ocorrência do PCC.

A estrutura dos registros da facção é muito parecida com a do documento produzido pela Polícia Civil. Começam com a data do ocorrido, seguidos por um breve relato do acionamento, uma explicação sobre o caso, apresentação e alegação das partes envolvidas e o desfecho decidido pela Disciplina do PCC.

Em alguns casos, o desfecho era, por exemplo, o “entendimento de ambas as partes” e “orientação”, mas em outros era “cobrança física”. No celular da Penélope, havia ainda fotos de homens baleados. Os registros teriam sido feitos para provar as punições colocadas em prática.

Além disso, as mensagens revelam quais integrantes da facção foram mobilizados para participar do tribunal do crime. Nos prints obtidos pela reportagem, aparece com frequência a palavra “resumo” — o termo se refere a pessoas em cargos de liderança nas ruas.

Nos grupos de conversas também havia mensagens de atualização da movimentação nas regiões monitoradas pela facção. Em um dos prints, um integrante escreve: “Bom dia a todos, quadrilha. Nosso dia está tranquilo, sem alteração até o momento. Qualquer lance, nos manda [sic] no grupo. TMJ família.”

O celular apreendido com Penélope continha também imagens de homens baleados. Os registros do setor de disciplina teriam sido feitos para comprovar os castigos colocados em prática.


Prisão da Penélope do PCC

  • Penélope foi presa nessa terça-feira (10/3), no Bairro Guapura, em Itanhaém. Ela não resistiu a prisão.
  • No momento da abordagem, a mulher apresentava um hematoma no olho direito. Em depoimento à polícia, ela contou que a marca foi resultado de uma briga familiar com uma prima na semana passada.
  • Ela é apontada como liderança do PCC e integrante da disciplina da facção no litoral sul de São Paulo e no Vale do Ribeira. O setor de disciplina é responsável por aplicar punições àqueles que não cumprem as regras da organização criminosa.

 

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