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São Paulo

Lula: Brasil deve fazer "briga mundial" por biocombustível, não Trump

Presidente faz defesa de biocombustível brasileiro em visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul

13/07/2026 12:50, atualizado 13/07/2026 13:32
Foto: Ricardo Stuckert/Planalto
Lula: Brasil deve fazer “briga mundial” por biocombustível, não Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (13/7) que o Brasil deveria fazer uma “briga mundial” em defesa do biocombustível brasileiro, e não o presidente Donald Trump, durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

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Lula visita o Instituto Mauá de Tecnologia
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“Se é verdade que o nosso biocombustível significa essa revolução no mundo da descarbonização da economia, significa que nós vamos ter que fazer uma briga mundial. Ao invés do Trump ficar brigando, a gente é que tem que brigar. Para fazer com que o mundo adote um outro modelo da produção de combustível, que não tem que ser o fóssil”, declarou.

A fala foi feita durante uma visita às divisões de Motores e Veículos e de Robótica do IMT. A imprensa não pôde acompanhar o presidente, apenas equipes de captação de imagem.

O presidente está acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Luiz Marinho (Trabalho), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Leonardo Barchini (Educação) e
Luis Rebelo (Ciência e Tecnologia).

O governo de Donald Trump deve anunciar nos próximos dias a decisão sobre a aplicação de novas tarifas a exportações brasileiras, com base na investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que apura práticas comerciais consideradas desleais (leia mais abaixo). Embora mantenham as negociações, auxiliares do presidente Lula veem pouca possibilidade de reversão do tarifaço.

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Nesta segunda-feira, Lula deve ainda visitar o projeto da primeira turbina movida a etanol desenvolvida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos, no interior paulista. Ele retorna a Brasília no fim da tarde.

“Mais desaforados”

Segundo Lula, o país precisa ser mais desaforado em defesa do biocombustível, fazendo associação com o negacionismo climático de Trump.

“Nós precisamos, então, ser mais desaforados, falar mais grosso, se apresentar em todos os fóruns possíveis, porque essa é uma briga que a gente não só pode ganhar, como a gente deve ganhar. Se o mundo… Veja, o presidente Trump, ele não acredita nessa questão climática. Ele não acredita. Não é a primeira reunião, ele fala em várias reuniões: ‘Eu não acredito, que o mundo está com problema, porque o ar americano é limpo, o ar sujo vem de fora’, essas coisas assim. E o que nós precisamos provar é o seguinte: ‘Olha, o Brasil está preparado para dizer ao mundo que, se quiserem, se quiserem arrumar o ar do planeta, o Brasil tá disposto a fazer isso. A produzir aço verde, a emitir zero de gás de efeito estufa. Eu estou preparado”, reforçou.

Pressão sobre etanol

O setor de biocombustíveis entrou na mira do tarifaço após a investigação do USTR. Em junho, o órgão sugeriu a aplicação de tarifa de 25% sobre importações brasileiras para os EUA. Entre as razões apresentadas pelo escritório estão tarifas “desleais” cobradas pelo Brasil, o desmatamento ilegal e políticas de pagamento eletrônico, como o Pix.

Em audiência pública promovida pelo escritório no dia 6 de junho, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) defendeu a política tarifária brasileira para o etanol. Segundo a entidade, a tarifa de importação de 18% aplicada pelo Brasil ao etanol está em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e é aplicada de forma não discriminatória a todos os países que não possuem acordos preferenciais com o Mercosul. Ainda de acordo com a Unica, a alíquota também está abaixo do teto de 35% consolidado pelo Brasil na OMC.

O setor de biocombustíveis dos EUA, no entanto, pressiona pelo aumento das tarifas sobre o etanol brasileiro como forma de compensar supostas barreiras impostas pelo Brasil ao produto americano.