INSS: alvo da PF doou a ex-ministro de Bolsonaro e cobiçava política
Um dos alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, Felipe Gomes doou ao ex-ministro da Previdência e alugou escritório para deputado do PP
atualizado
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Um dos alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (27/5), Felipe Macedo Gomes (foto em destaque) tinha pretensões políticas e fez doações para a campanha eleitoral de Onyx Lorenzoni (PP), que foi ministro da Previdência no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em 2022, quando Lorenzoni concorreu ao governo do Rio Grande do Sul, Gomes doou R$ 60 mil para o então candidato. Ao Metrópoles o ex-ministro disse que a doação foi legal e que não conhecia o empresário, que faz parte de um grupo que arrecadou R$ 700 milhões com descontos indevidos de aposentados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
O escândalo da Farra do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas desde dezembro de 2023.
Segundo a investigação da PF, Lorenzoni era ministro da Previdência quando a entidade Amar Brasil era presidida por Gomes e iniciou o processo para o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS que autorizou desconto de 2,5% como mensalidade associativa de aposentados direto do contracheque dos benefócios.
O acordo foi firmado em agosto de 2022, quando a associação tinha outro presidente, e Lorenzoni já estava em campanha para o governo gaúcho — ele acabou perdendo a eleição.
Segundo o ex-ministro, a investigação da PF foi tendenciosa já que não era atribuição dele, como ministro da Previdência, autorizar descontos de entidades associativas, ainda que o INSS esteja no guarda-chuva da pasta que comandou no governo Bolsonaro.
“O cara da Polícia Federal fez um relatório tendencioso, porque é uma coisa óbvia que não tem relação de causa e efeito, porque o cara [Gomes] fez uma doação legal. Eu não conheço ele, pode ser até que alguém das minhas relações conheça e possa até ter pedido [a doação]”, disse Lorenzoni ao Metrópoles quando o caso veio à tona.
Neste ano, Onyx Lorenzoni será candidato à Câmara dos Deputados e é coordenador da campanha do pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, no Rio Grande do Sul.
Aluguel a deputado e entrada para política
Antes de ser alvo da PF pela primeira vez, em abril de 2025, Gomes dizia a interlocutores que tinha vontade de entrar para a política como uma forma de legitimar os lucros com atividades ilegais.
Pessoas próximas ao empresário dizem que um dos políticos ligados a ele era o deputado federal Fausto Pinato (SP), que trocou o PP pelo União Brasil neste ano. O escritório político de Pinato, em Baureri, na Grande São Paulo, funcionou em uma sala que alugava de Gomes. O deputado nega que seja próximo do empresário alvo da PF e diz que não sabia quem ele era ao alugar o escritório.
A menção à Onyx Lorenzoni e Fausto Pinato nas investigações da PF foi o que motivou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedir, em junho de 2025, o compartilhamento de todos os inquéritos sobre as fraudes no INSS abertos no país para avaliar sua prevenção para relatar os casos, uma vez que os dois citados têm foro por prerrogativa de função, o chamado foro privilegiado, e já eram investigados em outro inquérito que tramitava em seu gabinete.
Após forte pressão da opinião pública, Toffoli acabou deixando o caso, que ficou com o ministro André Mendonça, relator dos processos sobre fraudes no INSS no STF e responsável por autorizar a nova fase da Operação Sem Desconto nesta quarta-feira.
Quem é Felipe Gomes
Felipe Gomes foi presidente da Amar Brasil, mas, além dessa associação, o grupo ao qual fazia parte administrava a Master Prev, ANDAPP e AASAP. Também foram alvo da PF Américo Monte Júnior, Igor Dias Delecrode e Anderson Cordeiro de Vasconcelos.
O grupo ficou conhecido como Golden Boys na CPMI do INSS por ser formado por jovens que ostentam uma vida de luxo em Alphaville, bairro de alto padrão em Barueri.
O advogado Rogerio Cury, que defende Felipe Gomes, disse que seu cliente sempre esteve espontaneamente à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.














