Homem perseguido por Zambelli faz vaquinha para processar ex-deputada

Armada com um revólver, Zambelli perseguiu o jornalista Luan Araújo durante a campanha eleitoral de 2022. Agora, ele pede indenização

atualizado

metropoles.com

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Carla Zambelli aponta arma a apoiador de Lula em São Paulo
1 de 1 Carla Zambelli aponta arma a apoiador de Lula em São Paulo - Foto: Reprodução

O jornalista Luan Araújo, que foi perseguido pela então deputada federal Carla Zambelli (PL), armada com um revólver, na véspera das eleições de 2022, abriu uma vaquinha on-line para processar a ex-parlamentar. Ele busca arrecadar R$ 32 mil para arcar com as custas processuais de uma ação por danos morais. A perseguição foi registrada por testemunhas. Veja:

Luan relatou uma “batalha jurídica muito grande” nesses últimos quatro anos. Neste período, Zambelli foi condenada pelo Superior Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal após ter perseguido o jornalista.

A ex-parlamentar também tem uma condenação anterior de 10 anos de prisão em regime inicial fechado por ter invadido os sistemas do Coselho Nacional de Justiça (CNJ).

O jornalista, por outro lado, foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) a prestação de serviços à comunidade por, no entendimento do Juízo, ter difamado Zambelli. No ano passado, ele acionou a Corte contra ela.

“Eu pedi uma indenização, com um valor indenizatório, é claro, e o juiz do caso só autorizou que eu prosseguisse com o processo se eu pagasse uma garantia de valores processuais de R$ 25 mil. Como, obviamente, eu não tenho esse valor e não estou nem perto disso, eu decidi criar uma vaquinha no final do ano passado”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.

Até a manhã desta quarta-feira (3/6), a vaquinha feita por Luan havia arrecadado pouco mais de R$ 23 mil. O valor inclui o pagamento de uma taxa de utilização do site de arrecadação.

Jornalista relata desafios após repercussão do caso

Luan relatou ter enfrentado uma série de desafios após ser perseguido por Zambelli – tanto no âmbito pessoal como profissional. “Eu perdi oportunidades profissionais, perdi relacionamentos e perdi minha sanidade. Enquanto isso, aquela mulher sofreu muito menos do que deveria sofrer”, desabafou.

O jornalista denunciou ainda que Zambelli tramou “todo tipo de conluio político para ser protegida na Câmara dos Deputados” e que atrasou o julgamento no STF até conseguir sair do país.

Ela foi presa em 29 de julho do ano passado em um apartamento na Itália, em Roma. A ex-parlamentar estava na lista vermelha da Interpol e foi detida por “grave risco de fuga”, segundo decisão da Justiça que autorizou a prisão. Em 22 de maio, a Justiça italiana anulou a extradição de Zambelli e ela foi solta.

“Agora [ela] está livre, pois tem dinheiro para conseguir bons advogados. O que eu tenho? Problemas psicológicos, desemprego, falta de oportunidades, uma condenação na Justiça por um texto que escrevi, onde Justiça quer que eu pague um dinheiro que eu não tenho para pagar uma condenação que eu considero injusta”, disse Luan, se referindo à condenação por difamação.

O Metrópoles procurou a assessoria de Carla Zambelli, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

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