Governo de SP desmente produtora do Dark Horse sobre emenda de Zambelli

Secretaria da Cultura de SP diz que termo de fomento com produtora de Dark Horse nunca foi assinado para usar recurso destinado por Zambelli

atualizado

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Imagem colorida mostra Carla Zambelli e ator de filme Dark Horse, sobre Bolsonaro. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra Carla Zambelli e ator de filme Dark Horse, sobre Bolsonaro. Metrópoles - Foto: Reprodução

A Secretaria da Cultura do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) desmentiu a sócia da produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sobre a assinatura de um termo de fomento para a produção de uma série documental bancada por emendas da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e de outros parlamentares bolsonaristas.

Além de ser sócia da GoUp, produtora do filme sobre Bolsonaro, Karina da Gama é presidente da Academia Nacional de Cultura (ANC), ONG indicada para receber recursos via emenda parlamentar para produzir a série “Heróis nacionais – Filhos do Brasil que não se rende”.

O projeto foi indicado pelos deputados para usarem os recursos da União em sua produção e recebeu parecer favorável do governo paulista em 2024, como mostrou o Metrópoles na segunda-feira (18/5). À reportagem Karina disse que o repasse à ANC não foi efetivado, apesar de o termo de fomento ter sido assinado com a pasta.

Segundo a Secretaria da Cultura, contudo, “é improcedente a afirmação da Academia Nacional de Cultura (ANC) de que um termo de fomento tenha sido assinado”. A pasta afirma que a ONG não cumpriu critérios técnicos e de legalidade antes do repasse: “Não houve a celebração de nenhum acordo entre as partes”.

“A entidade indicada deve comprovar a titularidade exclusiva dos direitos autorais do projeto. No caso citado, os direitos autorais pertencem ao diretor da obra e não à ANC, o que automaticamente impede a assinatura de qualquer termo”, afirma o governo paulista, em nota.

Em abril, a assessoria de Karina da Gama havia dito que “nenhuma emenda havia chegado” para a ANC, mas o termo havia sido assinado.

“Não chegou nenhuma emenda, nem da Carla [Zambelli] nem dos demais deputados que apoiaram o projeto. Os recursos foram todos enviados ao Estado de São Paulo, mas o repasse à ANC não foi efetivado. O termo de fomento foi assinado, mas a verba segue retida”, afirmou.

Quem mandou emenda para série

  • Carla Zambelli (PL-SP): R$ 1 milhão
  • Marcos Pollon (PL-SP): R$ 1 milhão
  • Alexandre Ramagem (PL-RJ): R$ 500 mil
  • Bia Kicis (PL-DF): R$ 150 mil

ONG é alvo do STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu investigação na destinação de emendas para projetos ligados ao ecossistema de entidades comandadas por Karina da Gama.

Dino determinou apuração sobre a Conhecer Brasil Assessoria, outra empresa de Karina. A investigação também recai sobre duas entidades sem fins lucrativos: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a ANC.

A determinação do magistrado ocorreu após a divulgação do áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar a produção do filme sobre seu pai. Segundo o site The Intercept, o acordo previa R$ 134 milhões do Master para a produção, e mais de R$ 60 milhões foram enviados ao fundo Havengate, constituído nos Estados Unidos e administrado por um dos advogados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora no Texas.

A Polícia Federal (PF) apura se o recurso enviado por Daniel Vorcaro por meio do fundo foi usado para bancar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O filho 03 de Jair Bolsonaro vive no Texas desde o fim de fevereiro. Ele nega que tenha sido financiado pelo dono do Banco Master.

Como mostrou o Metrópoles, vereadores, deputados estaduais e federais de São Paulo enviaram R$ 7,7 milhões para projetos ligados às entidades de Karina da Gama.

Emenda na mira do TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) enviou ofício ao governo de São Paulo para apurar a destinação da emenda da ex-deputada Carla Zambelli para a ANC. O órgão constatou que quando a União enviou o dinheiro para São Paulo ele foi transferido para uma conta do Tesouro Estadual, contrariando a legislação que exige contas bancárias específicas para a gestão de emendas.

A Corte de Contas determinou que o recurso fosse transferido para uma conta segregada do caixa estadual, o que ocorreu no fim de abril.

Diante da determinação do TCU, o Metrópoles analisou todas as emendas Pix recebidas por São Paulo em 2023 e 2024 e constatou que o caso da emenda de Zambelli foi a regra adotada pela gestão paulista com todos os recursos recebidos por transferência especial – mesmo após decisão de Flávio Dino em agosto de 2025, o governo seguiu encaminhando os recursos para o tesouro estadual.

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