
Haddad contesta sigilo de Tarcísio em contrato do metrô: "Ilegal". Veja vídeo
Governador de SP mantém sigilo sobre documentos que explicam gasto adicional de R$ 3,7 bilhões com a Linha 6 – Laranja do Metrô

O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), contestou nesta quinta-feira (11/6) o sigilo mantido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em documentos que poderiam explicar o gasto adicional de R$ 3,7 bilhões para que a concessionária Linha Uni entregue a Linha 6 – Laranja do Metrô ainda este ano.
A informação foi revelada pelo colunista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles. Em agenda realizada nesta quinta-feira (11/6), o ex-ministro da Fazenda foi questionado sobre o tema e disse considerar “ilegal” colocar um contrato público sob sigilo.
“Você está protegendo quem? Você põe em sigilo um documento para proteger uma pessoa, uma pessoa que não pode ser exposta, um vulnerável, uma pessoa menor de 18 anos, uma pessoa que tem seus dados preservados pela lei de proteção de dados. […] Mas um contrato envolvendo dinheiro público? Quase 4 bilhões a mais, e a gente não sabe por que ele está pagando? Pelo que ele está pagando? Quase R$ 3,7 bilhões a mais num contrato. Uma licitação que já tinha sido feita”, respondeu Haddad.
Segundo o colunista, a justificativa formal da gestão estadual é que uma “superveniência geotecnológica” nas imediações da estação Higienópolis-Mackenzie teria gerado condições “alheias à vontade e à responsabilidade da Concessionária”, causando um atraso de três anos — a data programada era outubro de 2025. Assim, postergar a obra em apenas um ano, ou seja, entregando-a em 2026, seria um lucro de dois anos, pelo qual cabe ao estado pagar.
Mas toda a documentação que pode demonstrar a existência desta “superveniência geotecnológica” está sob sigilo, com a alegação de que a Artesp só teria um funcionário na gerência responsável por documentação e regulação e ele não teria disponibilidade para realizar o trabalho de analisar se podem ser tornados públicos os papéis que explicam gastos de R$ 3,7 bilhões para os cofres públicos.
Vice de Haddad segue indefinida
Sobre a indefinição da vaga de vice, Haddad disse que o posto permanece incerto. Nas últimas semanas, o ex-ministro havia dito que a decisão seria anunciada entre o fim de maio e o começo de junho.
“Acredito que vai ser para logo. Depende um pouquinho da agenda do presidente [Lula], também, que quer conversar com os companheiros do PSB, sobretudo, tem mantido conversas com o João Campos [presidente nacional do PSB e prefeito de Recife] também, com o Márcio [França], com a própria Simone [Tebet]. Mas eu penso que, tendo o presidente Lula, o vice-presidente [Geraldo] Alckmin na mesa, fica tudo mais fácil de resolver”, afirmou Haddad.
Segundo Haddad, trata-se mais de uma questão interna do PSB. “Por isso, a participação do vice-presidente [Alckmin] é importante”, destacou ele, enquanto nos últimos dias, aliados de Haddad defenderam França para a vaga.
Entre os petistas de São Paulo, o nome do ex-governador de São Paulo é visto como “uma tendência”, mas, no PSB a conversa é outra. Embora não se afaste a possibilidade de França aceitar o convite, o objetivo dele é concorrer ao Senado.

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