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São Paulo

Dark Horse: empresa suspeita de desvio fica em clínica de acupuntura

Nota fiscal da Complexsys foi usada por ONG de Karina Gama, produtora de Dark Horse, para explicar valores repassados pela prefeitura de SP

Renan Porto11/06/2026 02:15, atualizado 10/06/2026 21:24
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Arte/Metrópoles
Dark Horse: empresa suspeita de desvio fica em clínica de acupuntura

Uma empresa suspeita de envolvimento em um esquema milionário de desvio de dinheiro público funciona em uma pequena sala comercial na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, e divide espaço com uma clínica de fisioterapia e acupuntura. No último dia 1º de junho, o endereço foi alvo de busca e apreensão por policiais do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Enquanto procuravam por documentos da Complexsys Soluções, os agentes se depararam com uma maca no centro de um dos cômodos, com equipamentos terapêuticos e toalhas brancas.

A empresa entrou na mira da Polícia Civil por serviços prestados à ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), que foi contratada por R$ 108 milhões pela Secretaria de Inovação e Tecnologia (SMIT) da Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi na periferia da capital. A suspeita é que parte desses recursos tenham sido desviados para custear o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Karina Ferreira da Gama, representante do ICB, é dona da produtora responsável pela obra, a Go Up Entertainment, e também foi alvo de mandados.

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Fachada do prédio comercial onde está registrada a Complexsys
Sala de fisioterapia na sede da Complexsys
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Sala de fisioterapia na sede da Complexsys

Reprodução
Fachada do prédio comercial onde está registrada a Complexsys
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Fachada do prédio comercial onde está registrada a Complexsys

Reprodução

A Complexsys foi subcontratada pelo ICB, por R$ 8,6 milhões, para realizar uma parte das instalações dos pontos de wi-fi. No entanto, de acordo com o inquérito do DPPC, a ONG incluiu em sua prestação de contas uma nota fiscal de R$ 2 milhões emitida pela Complexsys, em fevereiro de 2026, mas que acabou sendo cancelada pela própria empresa meses depois. Um relatório de investigação levanta a suspeita de que “o documento teria sido fraudulentamente utilizado pelo Instituto Conhecer Brasil para justificar o emprego de verbas públicas”.

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Karina Ferreira da Gama, dona da produtora de Dark Horse e de ONG envolvida em ofício do TCU
Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Operação da Polícia Civil de SP
Dark Horse
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Dark Horse

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Karina Ferreira da Gama, dona da produtora de Dark Horse e de ONG envolvida em ofício do TCU
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Karina Ferreira da Gama, dona da produtora de Dark Horse e de ONG envolvida em ofício do TCU

Karina Ferreira da Gama / Instagram
Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Cena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

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Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

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Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

Go Up Entertainment/Reprodução
Operação da Polícia Civil de SP
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Operação da Polícia Civil de SP

Divulgação/Governo de SP
Polícia investiga desvio em programa Wi-Fi Livre da Prefeitura de São Paulo
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Polícia investiga desvio em programa Wi-Fi Livre da Prefeitura de São Paulo

Fabio Arantes/ Secom

Ao chegar na sede da Complexsys, localizada em um prédio comercial na rua Vergueiro, os policiais foram recebidos por André Feldman, representante da empresas. Segundo os policiais, o empresário permitiu a entrada da equipe e auxiliou com informações.

“Trata-se de uma sala comercial com dois espaços, onde em um havia uma maca de atendimento de fisioterapia e outra utilizada como escritório. Todo o imóvel foi verificado, sendo materiais arrecadados no espaço destinado ao escritório”, afirma o policial que assina o relatório de investigação sobre o resultado da busca.

Ao todo, foram apreendidos dois notebooks, dois pen drives, um celular da marca Iphone, além de uma série de documentos relativos à empresa.

Questionada pelo Metrópoles sobre a clínica no mesmo endereço das empresas, Debora Feldman disse que ela mesma é responsável pelos tratamentos. “Eu faço a fisioterapia e a acupuntura também. […] A clínica e as empresas funcionam juntas”, afirmou.

A reportagem também questionou a defesa do casal sobre as suspeitas envolvendo o contrato. Mas, até o momento da publicação não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

Em nota, a A Complexsys Soluções Integradas LTDA. esclareceu que acompanha com serenidade a investigação atualmente conduzida pelas autoridades competentes e que é mera prestadora de serviços da OSC Instituto Conhecer Brasil, cuja presidente é a Sra Karina Ferreira da Gama. A empresa reafirmou que suas atividades empresariais sempre foram desenvolvidas em estrita conformidade com a ordem jurídica, inclusive com emissão de notas fiscais, observando rigorosos padrões de legalidade, governança e controle interno e efetivamente prestação de serviços.

“Importa registrar que inexistem, até o presente momento, conclusões definitivas aptas a justificar qualquer juízo de responsabilidade em desfavor da empresa a que prestamos serviços técnicos, razão pela qual se impõe a observância dos postulados constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência. A empresa permanece à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários, confiante de que os fatos serão devidamente elucidados no âmbito das garantias constitucionais e legais aplicáveis. Por cautela e respeito à própria investigação, manifestações adicionais serão realizadas exclusivamente por meio de seus representantes legais”, complementou o texto.

Complexsys, ICB e SPTuris

Até 27 de março de 2025, Eduardo Ferreira Franco, atual conselheiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), era sócio da Complexsys ao lado de André Feldman. O atual gerente de eventos da São Paulo Turismo (SPTuris), Rodrigo Raveli, também foi sócio da empresa, deixando o posto anos antes, em 25 de abril de 2022.

Como revelado pelo Metrópoles, sob a gestão de Raveli, o órgão ligado à prefeitura da capital bancou R$ 3,5 milhões em despesas de uma feira gospel e R$ 292 mil em infraestrutura de um show do cantor Conrado, ambos organizados por uma outra ONG ligada a Karina Gama, a Academia Nacional de Cultura (ANC).

Eduardo Franco é, atualmente, sócio de duas empresas de eventos: a Vamoz Comunicação e a HCamargo (HCG Projetos e Cenografia na razão social). Desde que ele passou a atuar em ambas, no fim de 2023, as empresas passaram a ser seguidamente contratadas pela SPTuris e pelo próprio ICB.

Metrópoles mostrou que, de R$ 750 mil de uma emenda, o ICB pagou R$ 445 mil às duas empresas do seu conselheiro. Chama a atenção o fato de a Vamoz ser uma empresa de pequeno porte que, em janeiro, ainda emitia sua 42ª nota fiscal.

Na SPTuris, só a HCamargo firmou R$ 8,5 milhões em sete contratos para montagem de cenografia em eventos bancados pela própria SPTuris. A Vamoz, por sua vez, foi contratada 10 vezes pela SPTuris, em acordos que somam R$ 470 mil.

Operação Wi-fi

A operação Wi-Fi, realizada pela Polícia Civil, aponta que a Prefeitura de São Paulo pagou um valor 230% maior do que o estipulado no mercado para o Instituto Conhecer Brasil (ICB) em um contrato referente à instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades periféricas da capital paulista.

Segundo a investigação, enquanto a empresa municipal Prodam cobrava R$ 306, mais R$ 200 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB estipulou o pagamento de R$ 1.800 fixos por ponto, um valor injustificadamente superior aos parâmetros de mercado.

Em nota enviada ao Metrópoles, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o custo estimado na parceria com o instituto para 2026 corresponde a R$ 1.280 por ponto/mês, valor que alega ser “significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022” que, de acordo com a administração municipal, girava em torno de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês.

Entenda as suspeitas

  • Falta de capacidade técnica: a polícia apontou que o chamamento público teve a participação exclusiva do ICB, uma entidade considerada sem experiência no setor de telecomunicações, com atuações somente em feiras de livros e eventos religiosos.
  • Superfaturamento: enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306,00 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB estipulou o pagamento de R$ 1.800,00 fixos por ponto, um valor injustificadamente superior aos parâmetros de mercado.
  • Descumprimento de metas e fraude em aditivos: a entidade instalou apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos. Para ocultar a demora, foram celebrados três termos aditivos em intervalos de poucos dias.
  • Pagamentos indevidos e antecipados: a administração municipal teria realizado a antecipação de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação. Foram identificados repasses relativos a 3.200 pontos quando, na realidade, apenas seis funcionavam no período.

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