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São Paulo

Fiscal denunciado na Máfia do ICMS continua atuando na Fazenda, diz MPSP

Conhecido dentro da Máfia do ICMS como Chefe K, Kunio Shimada continua atuando na mesma função que possibilitou os desvio, diz o MPSP

18/09/2026 11:34, atualizado 18/09/2026 12:55
Divulgação/Sefaz
Prédio da Secretaria da Fazenda de SP (Sefaz), no centro de SP - Metrópoles

Kunio Shimada é um dos quatro denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), nesta sexta-feira (18/9), suspeito de atuarem no grupo criminoso que concedia créditos de ICMS em troca de propina. Segundo o Ministério Público, Shimada é agente Fiscal de Rendas e inspetor Fiscal na Delegacia Regional Tributária da Capital III (DRTC-III – Butantã) e continua atuando no órgão na mesma função que exercia durante o esquema.

A promotoria pediu a prisão preventiva do fiscal, reforçando a gravidade de ele continuar solto, visto que dos agentes públicos denunciados, ele é o único que segue no “interior da própria estrutura em que os crimes foram praticados”.

A Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo (Sefaz-SP) diz, no entanto, que o servidor investigado está afastado do cargo efetivo e sem remuneração desde 26 de março. “Ele responde a processo administrativo que pode resultar, ao término, em demissão a bem do serviço público. As ações da pasta resultaram na demissão de cinco envolvidos, além de um exonerado e 23 servidores afastados sem remuneração. Até o momento, 45 auditores fiscais são investigados pela Corregedoria da Fiscalização Tributária (Corfisp).”

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O Ministério Público acredita que Shimada atuava na distribuição dos trabalhos, concedendo pedidos de ressarcimento de ICMS. As autoridades ainda indicaram que Shimada recebia 10% do valor pago em propina pelas empresas envolvidas no esquema.

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O agente fiscal teria, por exemplo, participado de oito pedidos de ressarcimento de ICMS para a Ultrafarma, totalizando quase R$ 100 milhões.

“Não se cuida, portanto, de servidor a quem se atribui um ato isolado, mas de agente que fez da própria função de distribuição um instrumento reiterado de direcionamento, ao longo de anos e em favor de contribuintes distintos — e que, sozinho, deferiu quase cem milhões de reais em ressarcimentos ora sob apuração por irregularidade”, diz a denúncia.

Shimada era conhecido dentro do esquema criminoso como “Chefe K” e conversas indicam a influência e a atuação que ele tinha sobre os demais fiscais investigados.

Operação Caldarium

Deflagrada no dia 3 de setembro pelo MPSP, a Operação Caldarium mirou um suposto esquema de propina em troca de créditos do Imposo sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que culminou na prisão de André Weiss, ex-número 3 da Fazenda no Governo Tarcísio de Freitas, e outros.

De acordo com a investigação, empresas pagavam propina aos fiscais envolvidos na fraude em troca de privilégios na fila de ressarcimento do ICMS. Como esses créditos podem ser revendidos no mercado, na prática, o pagamento de propina dava dinheiro aos empresários que participavam do esquema.

A ação do dia 3 de setembro foi um desdobramento da Operação Ícaro, também do MPSP, que resultou na prisão preventiva de executivos da Ultrafarma e Fastshop, além de desarticular um esquema de fraude tributária arquitetado pelo ex-auditor fiscal Arthur Gomes da Silva Neto.


Entenda o esquema

  • As empresas que pagavam propina para os fiscais envolvidos na fraude eram privilegiadas na fila do ressarcimento de ICMS – processo que pode durar anos
  • Os investigadores também constataram que, por vezes, o crédito de ICMS era inflacionado pelos auditores corruptos
  • Como esses créditos podem ser revendidos no mercado, na prática, o pagamento de propina dava dinheiro aos empresários que participavam do esquema
  • A Smart Tax, empresa de contabilidade registrada no nome da mãe de Artur Gomes da Silva Neto, emitiu mais de R$ 1 bilhão em notas fiscais, que seriam usadas para dar legitimidade ao valor obtido por propina
  • A Fast Shop, que segundo o MPSP recebeu R$ 936,4 milhões em vantagens no esquema, terá de pagar multa de R$ 1,04 bilhão – a maior multa já aplicada na história com base na Lei Anticorrupção

Promovido duas vezes no governo Tarcísio

O ex-número três da Sefaz-SP, André Weiss, foi promovido duas vezes em um período de sete meses durante o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele deixou uma delegacia tributária regional e chegou ao comando da fiscalização e administração tributária de São Paulo.